segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Quem tem medo dos Black Bloc?


Desde junho quando surgiram na cena política brasileira (ou pelo menos foram notados) os chamados "Black Bloc" vem inspirando vários sentimentos. Entretanto, a mídia corporativa e os apoiadores dos partidos que governam o Brasil, independente de suas matizes declaradas, o sentimento é um que mistura medo e rejeição. O medo fica por conta da ação agressiva contra a polícia (no esforço de proteger manifestantes e atacar a propriedade privada), especialmente bancos. Já a rejeição aparece como uma reação natural contra o que isso representa. Ai pode ser PT, PSDB ou PMDB que a ordem tem sido baixar o porrete em tudo e todos que tenham vaga semelhança com um "BB".

No meio desse processo aparece também a disseminação da desinformação para melhor criminalizar os que participam das ações do Black Bloc. No Rio de Janeiro, a delegada Martha Rocha que até hoje não conseguiu encontrar o corpo e os assassinos do pedreiro Amarildo, conseguiu num passe de rara velocidade achar os "chefes" do Black Bloc. Teria sido mais eficiente como investigadora se informasse ao público que os Black Bloc não possuem líderes porque não são uma organização, mas simplesmente uma tática de reação contra a ação das forças repressivas do Estado.

Apesar de eu não ser anarquista, vejo o aparecimento dos Black Bloc como algo que ultrapassa a decisão de filhos da classe média em cuspir no prato em que comem. É que ir para cima de policiais cada vez mais armados e violentos não me parece um simples exercício de futilidade. Classificar os Black Bloc como militantes "coxinha" pode até ajudar a alguns a aplacar culpas de consciência ou a apresentar justificativas inúteis para a traição dos programas partidários por forças que um dia se disseram de esquerda, mas não resolve a questão central: por que crescem os Black Bloc?

Por outro lado, há que se ver que apesar de não serem uma organização internacional, os Black Bloc nasceram e continuam agindo contra o capitalismo em sua versão globalizada.  Esquecer desse detalhe pode até ajudar nos esforços de caluniar e criminalizar os seus componentes, mas não vai apagar o fato de que um número crescente de pessoas está indo às ruas para enfrentar o aparato repressivo. Esse tipo de processo é apenas compreensível se colocado à luz do aprofundamento da crise sistêmica que hoje corrói o sistema capitalista. E, mais uma vez, tratar essa situação sob o prisma de que esses militantes são uma minoria apenas ressalta a sua importância na cena política brasileira. Afinal, as grandes transformações sociais sempre começam porque uma minoria resolve entrar em ação contra o status quo, enquanto a maioria aceita docilmente os desmandos e a opressão cotidiana que esse impõe aos mais dóceis. 

Uma coisa é certa: quanto mais a mídia corporativa e os partidos governantes tentarem reprimir e criminalizar os Black Bloc maior será o seu crescimento. É que num tempo de mídias sociais e transmissão de informação online não há como esperar que as táticas utilizadas para esfacelar movimentos opositores possam funcionar como no passado. Aliás, como são anarquistas quanto mais atomizados os Black Bloc forem obrigados a agir, mais intensa será a sua ação. É a velha história da mitologia grega da hidra. A diferença é que aqui a hidra cobre a cabeça de preto.