domingo, 1 de setembro de 2013

Intervenção estadunidense na Síria: tragédia e farsa


No primeiro parágrafo de ‘O 18 Brumário de Luis Bonaparte’, Karl Marx lembra que Hegel disse que os fatos e personagens de grande importância da história do mundo se repetiam duas vezes. No mesmo parágrafo, Marx completa que a história acontece “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Ainda que o 18o. Brumário tenha sido publicado pela primeira vez em 1852 (exatos 161 anos atrás), vê-se que o potencial analítico de Marx continua não só atual, como efetivo.  Uma indicação disso é a anunciada intervenção estadunidense "humanitária" na Síria cujas repercussões deverão ser devastadoras para uma região estratégica para o balanço energético mundial.  Eu só posso imaginar que os estrategistas do Pentágono já tenham chegado à conclusão que não há mais como salvar a hegemonia criada a partir da Primeira Guerra Mundial e tenham partido para um jogo que sabem não irá reverter a marcha das engrenagens da história, apenas retardá-la.

Que Bashar Al-Assad é um ditador poucos duvidam. Que a Síria seguiu até bem pouco tempo o seu papel de conter as demandas por justiça e igualdade no Oriente Médio também há pouca dúvida. O que realmente é peculiar neste momento é que os estadunidenses estejam apostando na substituição de uma ditadura secular por outra de caráter obscurantista com forte influência da Al Qaeda. Se isso não é uma medida desesperada, eu não sei o que seria.

Mas fiquemos atentos, pois as próximas semanas serão marcadas pela construção de uma tragédia que também é farsa (algo que talvez nem o genial Marx tivesse imaginado que as potências imperialistas fossem capazes de fazer). É que para "salvar" indefesos civis sírios, o arsenal bélico estadunidense e francês será usado para, pasmemos todos em completa indignação, matar indefesos civis sírios.  A coisa é tão óbvia que o Nobel  da Paz (isso diz montanhas de verdades sobre esse prêmio) Barack Obama já avisou que vai atacar, mas não vai derrubar Al-Assad.  Então, o que se presume, é que todas as mortes que serão causadas vão apenas enfraquecer o ditador para, talvez, torná-lo, mais dócil às vontades dos EUA e da França.

Aliás, os socialistas franceses nesse episódio mostram bem o que é a social democracia: inimiga da paz e dos povos. Simples assim.