domingo, 21 de agosto de 2011


Greenpeace divulga relatório reunindo resultados de pesquisas que mostram impactos dos herbicidas à base de glifosato

Produtores e meio ambiente estão expostos diretamente ao veneno, mas indiretamente ele chega aos consumidores via alimentos contaminados


O relatório traz em detalhes evidências que demonstram que os produtos à base de glifosato podem ter efeitos adversos sobre a saúde humana e animal, e que sua reavaliação toxicológica deve ser realizada com urgência. No Brasil, o produto está entre os 14 ingredientes ativos ora revisados pela Anvisa, apesar dos percalços perpetrados por ruralistas e seus apoiadores no Congresso e no governo.

Produtores e meio ambiente estão expostos diretamente ao veneno, mas indiretamente ele chega aos consumidores via alimentos contaminados. O relatório aponta que os limites máximos permitidos de resíduos foram definidos pelo Codex Alimentarius da FAO e OMS, mas questiona o fato de eles terem sido calculados mais com base em certas práticas agrícolas do que em valores que assegurem a saúde humana. É o que se vê aqui. O limite de resíduos permitido na soja foi multiplicado por 50 e o do milho por 10, pelo governo brasileiro, quando essas plantas transgênicas foram liberadas. Sem qualquer justificativa técnica.

Treŝ principais problemas de saúde

O nascimento de bebês defeituosos na província do Chaco, na Argentina, quase quadruplicou entre 2000 e 2009. A região é grande produtora de soja. Efeito semelhante foi observado em paraguaias expostas ao herbicida durante a gestação.

Estudos publicados demonstram vários efeitos endócrinos em animais e células humanas associados ao glifosato, fazendo com que ele seja visto como potencial disruptor endócrino.

Outras pesquisas vinculam a exposição ao glifosato com o surgimento linfoma não-Hodgkin, espécie de câncer no sangue. Ademais, existem evidências de que o produto pode afetar o sistema nervoso e, assim, estar implicado com o mal de Parkinson.

Do ponto de vista ambiental, pesquisadores independentes vêm demonstrando que a dupla soja transgênica mais herbicida Roundup reduz a absorção de micronutrientes, essenciais para o crescimento das plantas, reduz a fixação biológica de nitrogênio do ar, que dispensaria nitrogênio químico, e aumenta a susceptibilidade das plantas a doenças.

O desenvolvimento acelerado de mato resistente ao glifosato é um dos efeitos mais documentados nesses 15 anos de cultivos transgênicos e um dos fatores que mais atormentam os agricultores, que, segundo as empresas, seriam os maiores beneficiados pela tecnologia. São mais de 20 espécies de plantas, distribuídas em mais de 100 biotipos, que não são mais controladas pelo agrotóxico, principalmente na América.

Além dos efeitos decorrentes de sua introdução no meio ambiente e uso em escala, o estudo ainda lembra um problema inerente aos organismos transgênicos, que é a imprecisão do método de transferência de genes e a possibilidade de que se produzam efeitos indesejados ou não-intencionais. Esses são descartados pelos órgãos reguladores pois seriam muito custosos ou difíceis de testar ou prever... Aí prevalecem os interesses de mercado.

Por fim,o Greenpeace chama atenção para o fato de que os transgênicos estão intrinsecamente ligados a práticas agrícolas insustentáveis que prejudicam os recursos naturais, sobre os quais se assenta a própria produção agrícola. Por esse motivos, e pelos demais impactos descritos no estudo, a organização defende que o cultivo das plantas transgênicas deveria ser proibido.

Disponível em espanhol na página do Greenpeace ; o original em inglês pode ser obtido em:http://www.greenpeace.org/argentina/es/informes/Herbicide-tolerance-and-GM-crops-/

AS-PTA - EcoAgência
Ativistas fazem mobilizações no Brasil e no exterior contra usina de Belo Monte

Gilberto Costa
Da Agência Brasil
Em Brasília


Os movimentos Brasil pela Vida nas Florestas e Xingu Vivo para Sempre e a Frente Pró-Xingu querem fazer deste sábado – Dia Internacional da Ação em Defesa da Amazônia – um dia de protesto contra a construção da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. As organizações alegam que 80% das águas do Xingu serão desviadas e que mais de 20 etnias indígenas ficarão desabrigadas após a construção da hidrelétrica.



Os ativistas programaram manifestações em Belém, Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e protestos contra a obra em mais 11 cidades. Segundo os movimentos sociais, haverá manifestações também na próxima segunda-feira (22) em cerca de 20 cidades em 16 países - entre eles, os Estados Unidos, a Alemanha, a Inglaterra, a Noruega, o Irã, a Turquia e a Austrália. Os protestos serão em frente às embaixadas e consulados brasileiros.
Para Clarissa Beretz, do Movimento Brasil pela Vida nas Florestas, a mobilização internacional contra a usina é estratégica. “Quando vira uma questão mundial, os holofotes voltam-se para ela”. Este ano, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) recomendou que o Brasil suspendesse as obras da usina.
Além da OEA, organização da qual o Brasil faz parte, entidades estrangeiras com forte influência na opinião pública internacional, como a Amazon Watch e a Anistia Internacional, criticam a obra.
Clarissa Beretz espera que, com a visibilidade no exterior, o governo mude a posição “intransigente” e converse “democraticamente” com as os movimentos contrários à hidrelétrica. “Sabemos que o país precisa de energia, mas queremos discutir alternativas”, disse ela, ressaltando que o o potencial da luz solar e dos ventos (energia eólica) podem ser mais bem aproveitados.
Na opinião da jornalista Verena Glass, a construção de Belo Monte chama a atenção internacionalmente por causa do impacto na Amazônia, por causa da violação de direitos humanos dos povos indígenas e porque fere tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. “Com que cara vamos sediar a Rio+20?”, pergunta Verena, referindo-se à principal conferência ambiental internacional que o Brasil sediará no próximo ano.
Segundo a jornalista, os movimentos sociais também vão questionar a atuação de bancos públicos e privados no financiamento de obras como Belo Monte. De acordo com Verena, os principais bancos brasileiros participam de acordos internacionais que restringem o financiamento de atividades de impactos social e ambiental negativo.
Em nota, o consórcio Norte Energia S.A., responsável pela construção da usina, diz que “respeita as opiniões contrárias ao projeto de Belo Monte, embora sejam fruto da desinformação”.
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério das Minas e Energia, o Brasil faz uso de fontes alternativas de energia. De 2004 a 2010, foram contratados cerca de 10 mil megawatts (MW) de energia solar, eólica e de biomassa. A usina de Belo Monte terá capacidade plena de 11 mil MW por ano e vai operar em média com 4,5 mil MW.
A obra já rendeu 13 ações de contrárias do Ministério Público, entre elas uma que questiona a constitucionalidade do processo que autorizou a obra. O Congresso Nacional, em julho de 2005, autorizou o Executivo a fazer “o aproveitamento hidroelétrico” de Belo Monte, mas sem ouvir as comunidades indígenas afetadas, como prevê o Artigo 231 da Constituição Federal.
A EPE colocou sob consulta pública o Plano Decenal de Expansão de Energia até o próximo dia 30. O documento fundamentará a elaboração de projetos futuros em diversas modalidades de produção de energia em todo o país, inclusive energia hidrelétrica na Amazônia. Para acessar o plano entre no linkhttp://www.epe.gov.br/PDEE/20110602_1.pdf.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/20/ativistas-mobilizam-se-no-brasil-e-no-exterior-contra-usina-de-belo-monte.jhtm


JORNADA DE LUTAS DA VIA CAMPESINA
PLATAFORMA UNITÁRIA DA CLASSE TRABALHADORA



O processo de fragmentação das forças populares, democráticas e socialistas, que marcou a esquerda na última década, ainda não foi superado. No entanto, as bandeiras de lutas dos diversos campos políticos da classe trabalhadora apresentam bastante convergência. Os principais pontos dessa plataforma política são a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no orçamento federal para educação pública e gratuita e a mudança de modelo agrícola, com a proibição da utilização de agrotóxicos e a realização da Reforma Agrária. Apresentamos uma síntese dos principais pontos da plataforma política da classe trabalhadora.

Redução da jornada de trabalho sem redução salarial

A redução da jornada de trabalho, que deve ser votada neste ano na Câmara dos Deputados, é um dos instrumentos que possibilita aos trabalhadores participarem da distribuição dos ganhos de produtividade gerados pela sociedade. As inovações tecnológicas e organizacionais são conseqüências do acúmulo científico e do esforço contínuo de gerações e são, portanto, mérito de toda a sociedade. Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais teria o impacto potencial de gerar mais de 2,2 milhões novos postos de trabalho no país. A luta pela redução da jornada abrange também a limitação da hora extra, que pode gerar de 1,2 milhões de postos de trabalho (levando em consideração os dados de 2005).

10% do PIB para Educação

Os movimentos sociais, entidades do movimento educacional (professores, estudantes e funcionários) e as centrais sindicais fazem uma campanha para que o Plano Nacional da Educação (PNE), em discussão na Câmara do Deputados, garanta a destinação de 10% do PIB para educação. O Conselho Nacional da Educação (CNE) sugeriu, em maio, que a meta do investimento público em educação corresponda a 10% do PIB do país, ao contrário dos 7% propostos inicialmente pelo Ministério da Educação (MEC). Atualmente, o Brasil aplica cerca de 5% do PIB na área. O Jornal Sem Terra publica nesta edição artigo da professora Lizete Arelaro, da Universidade de São Paulo, sobre a campanha pelos 10% do PIB para educação.

Novo modelo agrícola, proibição dos agrotóxicos e Reforma Agrária

O Brasil precisa de um novo modelo agrícola, baseado na agricultura familiar e camponesa, que fixe as pessoas no meio rural, garanta terra, gere emprego e renda. Para isso, os movimentos defendem a desapropriação dos grandes latifúndios improdutivos (muitos em mãos do capital estrangeiro) para distribuir para assentamento de milhares de famílias acampadas. Além disso, uma nova política de crédito rural, mais acessível aos pequenos agricultores. O modelo do agronegócio é o jeito das grandes empresas estrangeiras controlarem a produção e o comércio agrícola, dos bancos ganharem dinheiro, em aliança com os grandes proprietários de terra e apoiados pela mídia. Ele concentra a produção, a propriedade da terra, expulsa os trabalhadores do campo, só produz para exportação, usa de forma intensiva máquinas e venenos que desequilibram o ambiente, fazendo do Brasil o maior consumidor mundial de venenos.

Por aumento de salários e melhores condições de trabalho

As campanhas salariais deste 2º semestre são importantes porque demonstram que o modelo econômico vigente não atende às necessidades dos trabalhadores. Essas lutas de caráter econômico ganham uma perspectiva de disputa de projeto político na medida em que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que aumentos de salários são inviáveis porque aumentariam a inflação. A queda do desemprego, a valorização do salário mínimo e os aumentos de salários de importantes categorias acima da inflação fortaleceram o mundo do trabalho. Em consequência, vivemos um período de aumento do número de greves, especialmente no setor privado, e de maior iniciativa política do movimento sindical.
Mudança na política econômica

O aumento da taxa Selic, do Banco Central, e o arrocho salarial como medidas para supostamente enfrentar a inflação beneficiam apenas a classe dominante e prejudicam o povo brasileiro. O modelo econômico do governo Lula, que a presidenta Dilma pretende continuar, baseado em crescimento econômico, acumulação do grande capital (especialmente do capital financeiro e empresas transnacionais) e distribuição de renda está chegando a um impasse. Entre janeiro e maio, o setor público (governo federal, Banco Central, Previdência Social, governos estaduais e municipais e das empresas estatais) desviou do povo brasileiro e reservou para o superávit primário R$ 64,82 bilhões. No mesmo período, foram pagos R$ 100,76 bilhões em juros aos portadores de títulos da dívida pública. Esse modelo comprometem a soberania nacional e inviabilizam políticas estruturantes.

Pelo fim do Fim do Fator Previdenciário e fortalecimento da Previdência Pública

O Fator Previdenciário foi aprovado em 1999, durante a Reforma da Previdência do governo Fernando Henrique Cardoso, para reduzir o valor dos benefícios previdenciários. Quanto menor a idade de aposentadoria, maior o redutor e, conseqüentemente, menor o valor do benefício. Com isso, o valor da aposentadoria paga pela Previdência Social passou a ser calculado com base na média aritmética dos 80% maiores salários de contribuição (corrigidos monetariamente) referentes ao período de julho de 1994 até o mês da aposentadoria. É sobre essa média que incide o “fator previdenciário”. Para as aposentadorias por tempo de contribuição, a aplicação do fator previdenciário passou a ser obrigatória e para aquelas por idade, tornou-se optativa sua aplicação.

Reforma Urbana

Mais de 5,5 milhões de moradias precisam ser construídas para acabar com o deficit habitacional, segundo dados de 2008 utilizados pelo Ministério das Cidades. As favelas e áreas em situação de risco abrigam 7 milhões de pessoas (esse número aumentou 42% nos últimos 15 anos, segundo análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O número de déficit habitacional aumenta com a inclusão das famílias que moram de aluguel, que estão em torno de 12 milhões de famílias (de acordo com o Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo-Secovi-SP). Só que a Reforma Urbana é mais ampla do que resolver o problema da falta de moradias, mas construir uma cidade que respeite e garanta o saneamento, acesso à infra-estrutura urbana, ao transporte, à saúde, à educação, à cultura, aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer.


SETOR DE COMUNICAÇÃO DO MST
AGOSTO 2011
EGÍPCIO ESCALA TREZE ANDARES PARA TIRAR BANDEIRA DE ISRAEL DE MASTRO


Na madrugada de domingo uma cena insólita mobilizou a cidade do Cairo. Ahmed Shahat, um egípcio de 23 anos, escalou treze andares do prédio onde está alojada a Embaixada de Israel para tirar a bandeira israelense que ali tremulava. 

A cena mobilizou policiais e uma multidão de apoiadores e, no final, Shahat conseguiu o seu intento, substituindo a bandeira israelense pela do Egito. A cena que mostra as profundas contradições existentes entre Israel e seus vizinhos já foi imortalizada numa charge do cartunista brasileiro Carlos Latuff. 

Mais detalhes sobre esta epopéia podem ser obtidos no link http://english.ahram.org.eg/News/19349.aspx.
Crise econômica e alienação social: os verdadeiros ingredientes dos conflitos varrendo as cidades da Europa

Marcos A. Pedlowski, artigo publicado no número 209 da Revista Somos Assim

      A atual crise econômica que varre os Estados Unidos da América e parte da União Européia tende a ser visualizada pela maioria dos analistas a partir dos seus efeitos fiscais. Isto é quase inevitável já que a maioria dos governos tende a optar por medidas de arrocho, em vez de atacar a raiz do problema que é a desregulamentação dos mercados financeiros. Em que pese ser compreensível que as atenções estejam concentradas no campo econômico, dado que existem indicadores fáceis de ser usados e assimilados por todos os interessados, o fato é que existem outras dimensões igualmente importantes.

Um aspecto normalmente negligenciado é um invisível, mas poderoso elemento social, que é o sentimento de alienação daqueles que são alijados das soluções engendradas pelos governantes Esta alienação é um poderoso fermento para a ocorrência de graves conflitos, os quais podem ser disparados por eventos que normalmente não levariam a isto; vejamos o que anda acontecendo nos países europeus.

Quando a juventude grega enfrentou a polícia que tentava proteger o prédio onde o parlamento se preparava para votar as medidas de austeridade impostas pela União Européia, a maioria dos jornais tratou os eventos com desdém. Parecia que lá não estavam se mobilizando milhões de pessoas insatisfeitas por terem sido deixadas de fora, ou seja, alienadas, das decisões políticas. Passados os eventos gregos, uma situação muito parecida surgiu na Espanha durante as ultimas eleições ocorridas naquele país, onde milhares de jovens ocuparam as principais praças para protestar contra os altos níveis de desemprego causado pela crise econômica. Também ali, a maioria das análises ficou na superficialidade, e ignoraram os problema que representa a existência de milhões de jovens que não vêem um futuro pela frente.

      No entanto, os eventos em diferentes pontos da Inglaterra é que parecem ter pegado a maioria dos analistas de surpresa. Afinal, a Inglaterra não está no olho do furacão financeiro que varre a União Européia ou, tampouco, a sociedade inglesa vive os mesmos níveis de violência que ocorrem em outras partes do velho continente.  Talvez por isto, as primeiras análises (tanto à esquerda como à direita) foram na direção de que os distúrbios representavam atos de vandalismo causados por sentimentos consumistas. Afinal de contas, em muitas cidades os alvos preferenciais dos revoltosos foram lojas de marcas famosas e produtos eletrônicos. 

     Tais análises começaram a ser desconstruídas a partir da identificação dos envolvidos nos confrontos, e quando começaram a ouvir as razões da participação dos atos de violência. Em uma das matérias publicadas a partir dos relatos de jovens que participaram dos saques nas ruas de Londres, o jornal inglês Guardian apresentou relatos que evidenciaram que o problema era bem mais complexo. Segundo duas jovens ouvidas pelo Guardian, por exemplo, a razão para a sua ação era simplesmente mostrar aos ricos e à polícia que a juventude pobre é capaz de colocar em xeque o status quo político e econômico vigente.  Tal afirmação parece ter sido entendida rapidamente pelas lideranças políticas inglesas, visto que o prefeito de Londres, Boris Johnson, veio a público alertar que as raízes dos conflitos são bem mais profundas e complexas do que uma simples propensão de setores da juventude inglesa ao vandalismo.

     Outro que parece ter entendido que o problema é mais sério foi o primeiro ministro David Cameron, que propôs uma série de medidas punitivas que parecem mais ajustadas à Síria do ditador Bashar al Assad do que a um governo que se pretenda democrático. Entre as medidas adotadas, a realização de julgamentos em tempo recorde e a sinalização de suspensão do funcionamento das redes sociais em momentos de conflito. A face mais controversa destes julgamentos de exceção foi que duas crianças de onze anos que participaram dos distúrbios estavam entre os primeiros a serem levados às barras dos tribunais londrinos.  Já a suspensão do funcionamento das redes sociais, se concretizada, deixará o aparato repressivo totalmente à vontade para agir, o que certamente o já citado Bashar al Assad sonharia poder fazer num momento em que seu país vivendo engolfado por uma guerra civil.

     Há quase 60 anos, Josué de Castro já havia metaforizado, no seu “Geografia da Fome”, que no Brasil ninguém dormia: metade por causa da fome, e a outra metade por medo daqueles quem tinham fome; não podemos dizer que não fomos avisados.  Assim, antes que alguém dê de ombros, já que o Brasil parece surfar na crise da “marolinha”, eu diria que o melhor seria pensar no que pode acontecer por aqui no caso de chegar a nossa hora de pagar penitência pela atual crise econômica. O fato é que continuamos tendo um segmento gigantesco de população que vive às margens dos benefícios do crescimento econômico. Além disso, como nos países convulsionados pela crise na Europa, inexiste aqui uma alternativa de saída da profunda alienação em que milhões de jovens se encontram dentro dos verdadeiros guetos urbanos em que amplas regiões de nossas cidades se transformaram. E que ninguém alimente a vã esperança de que os muros e cercas elétricas que protegem os condomínios fechados sejam suficientes para garantir paz e segurança. 

sábado, 20 de agosto de 2011







O ENGEP (Encontro de Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo) é um evento acadêmico anual organizado por alunos de graduação em Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo e professores do LENEP (Laboratório de Engenharia e Exploração de Petróleo, localizado no município de Macaé, RJ) que é um laboratório da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense).

O evento tem caráter técnico-científico e a principal motivação do desenvolvimento dessa ferramenta é a preocupação com a disseminação do conhecimento, almejando sempre tornar público os mais recentes avanços, tendências tecnológicas e linhas de pesquisa da área.



Objetivos:

O objetivo do ENGEP é transmitir conhecimento e os mais recentes avanços da indústria do petróleo a todos os membros acadêmicos e profissionais da área.

Promover um estreitamento do laço entre universidade e indústria.
Estimular a formação de Recursos Humanos capacitados para trabalhar no Setor Petrolífero
Oportunidade do desenvolvimento de habilidades gerenciais e de relacionamento corporativo para os organizadores.


Na presente edição, o IX ENGEP aguarda um público total de mais de 600 pessoasdurante os 5 dias do evento.

Este ano o ENGEP entra em sua 9ª edição e ocorrerá de 22 a 26 de Agosto de 2011. Serão oferecidos no evento:

Mini-cursos e Palestras em diversas áreas tais como: Engenharia de Reservatórios, Engenharia de Poço, Geofísica, Geologia do Petróleo, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, Gerenciamento de Projetos de Petróleo, Geoquímica de Reservatórios, Estimativas de Reservas, Fluidos de Perfuração, Refino, Direito do Petróleo e muito mais;

Seleção de trabalhos desenvolvidos em diversas universidades para exposição em pôster durante o evento;

Sessões diárias de Recursos Humanos, ministradas por reconhecidas empresas do setor de E & P de petróleo;

Mesa-redonda formada por profissionais do setor para discutir temas atuais como a exploração no Pré-Sal, mercado de trabalho e novas perspectivas.

César de ponta-cabeça

FERNANDO DE BARROS E SILVA



SÃO PAULO - O governo de Sérgio Cabral acaba de firmar oito contratos emergenciais, com dispensa de licitação, com a empreiteira Delta, do empresário Fernando Cavendish, seu grande amigo.

São contratos que totalizam R$ 37,6 milhões e vêm se somar aos R$ 58,7 milhões que a Delta já recebeu sem licitação do governo fluminense somente neste ano.

Foi um acidente aéreo no litoral baiano, há dois meses, que jogou luz sobre as relações quentes do governador. Ele e o empresário viajaram juntos no jatinho emprestado por Eike Batista. Iam comemorar o aniversário de Cavendish e aguardavam o helicóptero que caiu, matando a namorada do filho de Cabral e familiares do empreiteiro.

Cabral e Cavendish já haviam usado o jatinho do mesmo Eike para ir às Bahamas, a passeio. Ambos têm casa de férias no mesmo condomínio de endinheirados em Mangaratiba, litoral sul do Rio.

Essa bonita relação de amizade não foi suficiente para constranger negócios com o Estado, que devem se pautar pela impessoalidade. Pelo contrário, tudo parece pertencer a uma mesma festa. A Delta abocanhou mais de R$ 1,3 bi em contratos na gestão Cabral, dos quais R$ 214 milhões são "emergenciais".

O dinheiro aprovado nesta semana, por exemplo, se destina a reparar danos provocados pelas chuvas de janeiro de... 2010 -um caso de "emergência retroativa". A Delta vai receber 40% dos R$ 96,3 milhões reservados às obras.

O que chama a atenção nessa história toda é a sem-cerimônia com que a promiscuidade se apresenta. Tudo é muito didático e ostensivamente escancarado. Como se o governador estivesse empenhado não mais em agredir a inteligência do contribuinte -já passamos desse ponto-, mas em testar os limites da sua impunidade e o grau de omissão das instituições do Estado.

 

No Brasil, as coisas funcionam de ponta-cabeça. Não é que invertemos a máxima da mulher de César?

FUMAÇA, MUITA FUMAÇA. VAMOS TODOS AGRADECER O TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL E A ALERJ QUE AUTORIZARAM A CONTINUIDADE DO CORTE DE CANA QUEIMADA?

O municipio de Campos está sendo especialmente castigada por uma forte estiagem no inverno de 2011. Para aumentar o sofrimento da população, o Tribunal Regional Federal e a ALERJ deram uma "mãozinha" para os usineiros e autorizaram a continuidade da moagem de cana queimada até 2024.

Para quem não tem idéia das consequências que a intervenção feita para barrar a decisão do Ministério Público Federal que havia proibido que cana queimada pudesse ser moída pelas usinas, indico que olhem com atenção as imagens que colhi apenas nos últimos dois dias em diferentes pontos do município de Campos. 

Depois de olharem bem as imagens de fumaça que paira sobre nós como resultado da queimada dos campos de cana, aconselho que se procure hospitais e postos de saúde para ver quantas pessoas estão procurando por socorro médico em função de problemas respiratórios. Por fim, se alguém se sentir sensibilizado com o sofrimento de seus concidadãos, indico que se escreva a magistrados e deputados estaduais exigindo uma reversão ao apoio dado à queima da cana.  Simples assim....







ERA SÓ O QUE FALTAVA: ALIADO DO GOVERNO CABRAL QUER MUDAR O NOME DA UENF PARA UENNF


Em uma audiência realizada em 2009 na Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional da ALERJ, o deputado Rodrigo Neves (PT) apareceu com a idéia estapafúrdia de mudar o nome da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) para Universidade Estadual do Norte Noroeste Fluminense (UENNF). A maioria dos presentes riu da proposta dada o absurdo que representaria mudar na ALERJ, algo que já dá identidade a uma universidade, sem sequer discutir com os principais interessados, os membros da comunidade universidade.

Mas agora eis que uma nova audiência, nesta 3a. feira (23/08), ocorrerá uma nova audiência desta mesma comissão vai se discutir o parecer do deputado Jânio Mendes (PDT) a um projeto de lei de autoria de Rodrigo Neves que deverá realmente mudar, caso seja aprovada, o nome da UENF para UENNF. 

O maior problema desta mudança é sacramentar uma pressão indevida que está sendo exercida pelo governo Cabral para obrigar a UENF a se expandir para a região noroeste sem qualquer compromisso com o devido financiamento não só da expansão, mas como do que já existe em Campos e Macaé.   Neste caso, a mudança de nome servirá como uma pressão adicional, já que a universidade teria que honrar seu nome e se expandir, em que pese a falta de recursos financeiros, orçamento e professores e servidores.

Em suma, esta proposta de Rodrigo Neves, aliado fiel de Sérgio Cabral, é mais do que uma mudança de nome, esta proposta é uma sentença de morte. Portanto, devemos reagir a esta impostura com toda energia. Mas para isto, precisaremos reagir logo. Afinal, quando o governo Cabral quer, a sua base dentro da ALERJ vota rapidamente qualquer coisa, como já pudemos observar com os ridículos índices de reposição da inflação dados a bombeiros e servidores da educação.

O interessante é que Rodrigo Neves, cuja base eleitoral é o município de Niterói, nunca se deu ao problema de vir visitar a UENF. Se tivesse vindo, talvez entendesse que em vez de vir com este tipo de idéia estapafúrdia, muito faria pela UENF se usasse um pouco de sua energia parlamentar para defender maiores investimentos para as universidades públicas estaduais. Mas dai seu mentor político, Sérgio Cabral, não gostasse e cortasse as asas do deputado que quer se lançar a prefeito de Niterói em 2012.

Em tempo: deputado Rodrigo Neves, tire suas mãos do nome da UENF já!


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

LISTA PARA GUARDAR E LEMBRAR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES

Abaixo segue a lista de deputados fluminenses que votaram contra a reposição de 26% para os profissionais da educação do estado do Rio de Janeiro.  Em breve alguns destes senhores e senhoras voltarão às ruas atrás de votos para si ou para seus correligionários.









De Campos dos Goytacazes saíram dois destes algozes dos servidores da educação: Roberto Henriques e João Peixoto.  Dizem que Roberto Henrique será inclusive candidato a prefeito sob patrocínio de seu atual senhor eleitoral, o governador Sérgio Cabral. Lembremos disto quando RH vier pedir apoio. O meu voto ele certamente não tem a menor chance de ter.


Mas façamos todos o nosso dever cívico e divulguemos a lista dos deputados inimigos da educação:
Alessandro Calazans 
Alexandre Correa 
André Ceciliano 
André Correa 
André Lazoroni 
Andréia Busatto 
Átila Nunes 
Bebeto 
Bernardo Rossi 
Chiquinho da Mangueira 
Coronel Jairo 
Dionísio Lins 
Domingos Brazão 
Edson Albertassi 
Fabio Silva 
Geraldo Moreira 
Graça Matos 
Graça Pereira 
Gustavo Tutuca 
Iranildo Campos 
Janio dos Santos Mendes 
João Peixoto 
Luiz Martins 
Marcus Vinicius 
Myriam Rios 
Paulo Melo 
Rafael do Gordo 
Rafael Picciani 
Ricardo Abrão 
Roberto Henriques 
Rosângela Gomes 
Samuel Malafaia 
Waguinho e 
Xandrinho.