quarta-feira, 5 de junho de 2013

MMX anuncia adiamento de projeto estratégico para 2017!


Nesta 4a. feira  a coisa caminhou bem diferente para Eike Batista e seus muitos fãs no planície goitacá. É que no dia de hoje, foi anunciado na coluna Radar online, do jornalista Lauro Jardim, o adiamento até 2017(!!) do projeto da mina de Serra Azul em Minas Gerais. Esse atraso traz também péssimas vibrações para o Porto do Açu, visto que pode deixar o principal terminal com perspectivas de embarcar moscas e não minério de ferro por um bom tempo. 

Pelo que se vê, o prazo otimista divulgado pelo prefeito de São João da Barra parece cada vez menos exequível em termos do retorno da normalidade ao Complexo do Açu.


Projeto adiado

Eike: mais um projeto em dúvida

A mineradora MMX, de Eike Batista, adiou o projeto da Mina de Serra Azul, em Minas Gerais, o principal em execução da empresa. A previsão que a operação iniciasse em 2014. Foi adiado para 2017. Oficialmente, a empresa culpa a liberação da licença ambiental pelo atraso.

Por Lauro Jardim

Os múltiplos desafios que esperam Nelson Nahim na FENORTE


A nomeação do ex-presidente da Câmara de Vereadores, Nelson Nahim, gerou várias ondas sísmicas, a começar por um pronunciamento de seu irmão e atual desafeto, o deputado federal Anthony Garotinho.  Mas essa repercussão Nelson Nahim já devia estar mais do que esperando, pois como político experiente ele deve saber muito bem quais são as consequências de afrontar o seu irrequieto irmão.

Entretanto, existem mais pregos no caminho do carro do presidente da FENORTE do que Nahim pode estar antecipando. O primeiro é uma campanha incentivada pelo agora ex-presidente, Almy Junior, que estimulou uma campanha pró-integração dos servidores da FENORTE no quadro de servidores da UENF. Aliás, periga até Nahim chegar para o seu primeiro dia de exercício no cargo e encontrar uma manifestação de servidores da FENORTE pedindo a tal integração à UENF.

Outro prego é a percepção internalizada até no quadro de servidores da FENORTE de que a fundação que um dia mandou nos destinos da UENF não passa de um cabide de empregos para aliados políticos do governador de plantão. Aliás, a ida de Nelson Nahim só faz aumentar a percepção de que a FENORTE se transformou numa espécie de fim de caminho para políticos sem cargos ou de postulantes à ter cargos políticos. Mas seja lá o que for o caso, essa é a percepção contra a qual Nahim vai ter de se defrontar caso não queira que a FENORTE se torne sua sepultura política.

Porém há duas coisas básicas que Nelson Nahim poderá fazer para aparecer como alguém que poderá tornar a FENORTE algo que seja útil para a sociedade e uma instituição na qual seus servidores, em vez de quererem ir  embora, tenham orgulho de servir e trabalhar. A primeira é conseguir que os mesmos 22% de aumento salarial que foram dados aos servidores da UENF em 2010 sejam incorporados aos salários dos servidores da FENORTE. Aliás, convenhamos, esse é um baita desrespeito aos servidores que ainda não fugiram da FENORTE. A segunda coisa que Nahim poderia fazer é aparecer para trabalhar todos os dias, usando essa presença para estimular a retomada de um ambiente dinâmico de trabalho. Afinal, quando o comandante da tropa não aparece sequer para bater o ponto, não há porque cobrar dos comandados que façam alguma coisa.

Ah! Para a UENF há algo fundamental que Nelson Nahim pode fazer também: levar a sede da FENORTE para bem longe do campus Leonel Brizola. Essa convivência não serve para nada de bom, e dá, inclusive, chance para oportunistas fazerem promessas que não possíveis de serem cumpridas. Um bom local para hospedar a FENORTE é a antiga sede da CEDAE na Rua Treze de Maio. O local lá é bom, o prédio é suficiente para hospedar os servidores e a mudança só custaria algumas pequenas reformas. E uma dica: não vai custar nada em termos de aluguel. Como Nahim tem mais cacife com o (des) governador Sérgio Cabral do que os três últimos presidentes da FENORTE é quase certo que consiga a cessão desse imóvel em tempo recorde.  E com essa certeza, Nelson Nahim ainda conseguiria um bom número de amigos na UENF. Olha, melhor do que isso seria só conseguir orçamento para tocar um mísero projeto ainda em 2013!

Por último só uma pessoa que tem algo realmente a perder com a presença de Nelson Nahim na presidência da FENORTE, ele próprio. Afinal, se ele não mostrar nenhum trabalho, começando por reorganizar a fundação, o seu irmão Anthony Garotinho certamente saberá aproveitar a oportunidade para castigá-lo de maneira exemplar pela afronta que está cometendo neste momento. Assim, se conselho vale de alguma coisa aqui vai: Sr. Nelson Nahim, arregace as mangas e comece a trabalhar, pois trabalho na FENORTE não falta. Ou é isso ou é preparar a sua cova política de uma vez por todas e de maneira definitiva. 

Lauro Jardim noticia nomeação de Nelson Nahim



A nomeação de Nelson Nahim para ocupar a presidência da Fundação Estadual do Norte Fluminense acabou tendo repercussão nacional. Isto se deve menos à importância da fundação que irá dirigir, mas mais pelo fato do (des) governador Sérgio Cabral ser atualmente arquirival de Anthony Garotinho, irmão e desafeto de Nahim.

Cabral dá cargo para irmão de Garotinho


Cabral e Garotinho: agora em campos opostos

Saiu hoje no Diário Oficial do Rio de Janeiro a nomeação de Nelson Nahim Matheus de Oliveira para a presidência da Fundação Estadual do Norte Fluminense.

E o que significa o ato burocrático? Quer dizer que Sérgio Cabral acaba de arrumar emprego para ninguém menos que o irmão do inimigo Anthony Garotinho.

Garotinho e Nahim romperam em 2008 quando o irmão não foi indicado para compor a chapa de Rosinha à prefeitura de Campos 


Por Lauro Jardim

FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

Leitor observa a desvalorização das ações da OS(X)


Acabo de receber a seguinte informação de um leitor deste blog:

"Só para referencia: as ações da OSXB3 valiam R$ 13,55 em 31 de maio de 2012. Agora, as 13 horas de 05 de junho/13 esta valendo R$ 2,54 com queda de 4,5% em relação a ontem. Queda livre. Os investidores tem informações privilegiadas e sabem dessa verdade."

Pois é, não tem mesmo nada de normal na situação das empresas "X". Apesar de soluços aqui e ali, a tendência geral continua sendo muito ruim. E ai quem mostra isso são os valores das ações. Simples assim!

Blog do Prof. Roberto Moraes traz entrevista reveladora sobre os bastidores das demissões no Açu



Confirmando mais uma vez a superioridade que a ação dos blogs possui em relação à mídia corporativa, o Prof Roberto Moraes acaba de publicar uma excelente entrevista com um trabalhador que acaba de ser demitido das obras no Porto do Açu.  As revelações que essa entrevista traz vão muito além da questão trabalhista, pois revelam a existência um cenário de descontrole que era suspeitado, mas para o qual não havia ninguém que desejasse falar abertamente.

Essa entrevista deveria ser lida com atenção com gestores e autoridades que têm a obrigação de salvaguardar os interesses da população dos municípios direta e indiretamente afetados por um eventual colapso do Porto do Açu. Ao invés de ficarem visitando o Porto do Açu sem finalidade estratégica, gestores e autoridades já deveriam estar se movimentando para evitar que o maior custo de todo esse processo recaia sobre aqueles que já perderam bastante com todo esse processo.


Blog entrevista demitido das obras do estaleiro da OSX para sentir a percepção de um trabalhador sobre o Complexo do Açu e seus problemas

O blog objetivando oferecer aos seus leitores um outro lado da questão da interrupção (redução) das obras no Complexo do Açu ouviu um trabalhador recém demitido. O blog também atendendo à solicitação do trabalhador ouvido decidiu manter sua identidade preservada, no sentido de evitar represálias no mercado de trabalho e também para permitir que sua fala seja livre.

O entrevistado possui formação acima da função que desempenhava no trabalho das obras do Açu. É novo, mas, já com uma boa noção de mundo. O sofrimento e a frustração das expectativas é perceptível, assim como, a identificação clara dos impactos causados pela implantação do empreendimento. Sobre sua demissão disse preliminarmente: “pedi demissão do meu antigo emprego para ir para lá. Foi a maior covardia o que eles fizeram pois esse caos não surgiu de um dia para o outro, não tenho como provar mas dentro de mim diz que eles contrataram sabendo já desses problemas, mas achavam que iria melhorar. Como diz o famoso ditado "contaram com o ovo da galinha".

Abaixo a entrevista na íntegra:

Blog: Em quais áreas a AGF atua(va) no Complexo do Açu? 

Trabalhador do Açu: Engenharia, consultoria, SMS, logística, Administrativo, apoio técnico etc.

Blog: Qual o efetivo que a AGF chegou a ter, mesmo que em números aproximados? 

Trabalhador do Açu: Quando entrei tinham exatos 296 funcionários.

Blog: De onde é a AGF? 

Trabalhador do Açu: Araucária - Paraná http://www.agfengenharia.com.br/index.htm

Blog: Qual o percentual de pessoas da região e de fora que trabalha(vam) na AGF? Permaneceu alguém? 

Trabalhador do Açu: Percentual de fora e da nossa região não sei, só sei que tem hoje 33 funcionários na AGF.

Blog: A AGF trabalhava só para a OSX, ou para mais alguma empresa do grupo? 

Trabalhador do Açu: Lá no estaleiro só para a OSX, porém no Brasil ela presta serviços para outras empresas - http://www.agfengenharia.com.br/clientes.htm

Blog: Qual o motivo alegaram para a dispensa de vocês? O que disseram? Comentaram sobre possibilidades de retorno? 

Trabalhador do Açu: Demitiram-nos, pois não há serviços, não haverá construção de navios ou de módulos. E pelo andar da carruagem o estaleiro vai fechar as portas. Possibilidade???? Eu acho que quase nenhuma eu não vejo futuro neste estaleiro com a atual gerência e administração e com o nome da OSX, é um descontrole total de gastos, só para você ter ideia o papel que serve para colocar na tampa do sanitário tem forma de coração, peças e mais peças jogadas ao léu enferrujando, sacos de cimento pegando chuva e endurecendo, mas são sacos e mais sacos 1000, 2000..., funcionários andando de carro CRUZE zero em um lugar que tem poeira, maresia e nenhum asfalto, sendo que esses carros são para o serviço e rodavam no dia a dia na cidade de Campos e região para uso pessoal com gasolina sendo paga pela OSX. Eles estavam oferecendo salários exorbitantes e oferecendo o que eles chamam de pacote ou seja tirava o funcionário da cidade, estado dele e pagava tudo desde casa até colégio dos filhos.

Aí te pergunto: uma obra que está tendo só investimento e lucro zero se há procedimentos como esses supracitados o que vai acontecer???? Quebrar. Se você ganha 5000 por mês e gasta 6000 você vai falir, você vai dever e foi o que aconteceu e está acontecendo. 

Tem coisas que estão sendo devolvidas por falta de pagamento e que não há possibilidade de ocorrer esses pagamentos.

Falaram que se houver um retorno eles entrariam em contato conosco para retornar, mas não acredito e uma empresa dessas, perde a credibilidade com os funcionários que por lá passaram. O que eu não entendo é como que uma pessoa que faz faculdade tem any anos de experiências na área e não consegue administrar, para mim só tem duas explicações ou são burros ou incompetentes. Desculpe pelo linguajar.

Blog: Muito se tem ouvido falar sobre descontroles no gerenciamento das obras tanto do porto quanto do estaleiro. Com a sua participação pode falar algo sobre isto? 

Trabalhador do Açu: Respondi na pergunta anterior

Blog: O que acredita que vá acontecer com o projeto do Porto?

Trabalhador do Açu: Eu não acredito em futuro do porto do Açu com o grupo EBX a frente. Caso o governo não entre com $ não vejo futuro, ou alguma outra empresa compre a maioria das ações, coisa que acho difícil o Eike fazer.

Minha opinião é que o governo deveria entrar com providências, pois ali além de gerar milhões de empregos diretos e indiretos, vai desafogar a malha rodoviária que é horrível em nosso país, desafogando também os portos de Santos, de Vitória, etc. e vai ajudar no crescimento das exportações aumentando o PIB, e por ai vai, você sabe disso melhor do que eu rs,rs,rs...

Blog: O grupo EBX gerou muitos impactos para a região. Chegaram a cogitar um projeto de Gestão Integrada do Território para se relacionar com as pessoas e instituições. Agora com a dissolução da diretoria de sustentabilidade e demissão da grande maioria (praticamente a totalidade) dos técnicos e gestores que lidavam com o assunto, o que você acha que vai acontecer?

Trabalhador do Açu: Vai ficar tudo como está e essa história de que a sustentabilidade vai ajudar essas pessoas é balela. Os impactos causados nas vidas e no ecossistema não terão como recompensar nem amenizar esses impactos causados. Em ecologia tem uma palavra chamada de resiliência que é quando a natureza dá a volta por cima se não houver mais impacto. Mas e as pessoas que ali moravam e tinham somente a terra como forma de subsistência, foi um impacto na moral e na alma. Progresso passando por cima das pessoas e da natureza não é progresso é uma forma de violência, costumo dizer que isso é um estupro a moral e a ética. (Pois para mim o estupro é a forma mais nojenta de violência).

Blog: O que você poderia dizer sobre o trabalho da empresa Acciona?

Trabalhador do Açu: Não conheço o trabalho da Acciona porém o que vejo é que eles atuam na área de construção civil e na parte do porto eu trabalhava no estaleiro. Acho que a Acciona é uma empresa boa e que os "tumultos" que aconteceram foi devido a falta de repasse de $ por parte da OSX, e muitos trabalhadores estavam lá sem trabalhar só recebendo, comendo e bebendo e isso deu problema. Porém vendo de fora acho uma boa empresa

Blog: Poderia dizer quais empresas estão sendo cogitadas para vir atuar nas obras do estaleiro e do porto? Falam numa disputa de consórcios de empresas estrangeiras contra outro de empresas nacionais. Isto procede?

Trabalhador do Açu: Sim dentre elas estão a espanhola FCC; a NOV National OilWell Varco; Integra, Technip, Odebreche, Mendes Junior.

Blog: O que mais você gostaria de falar?

Trabalhador do Açu: Primeiro eu gostaria de agradecer a sua atenção dispendida a meus interesses, agradecer por você ter desenvolvido um blog que fala com coerência e imparcialidade levando informação a população. E pedir mais uma vez que fique tudo no anonimato. E dizer que foi um prazer conversar com uma pessoa tão inteligente e interessada em passar a verdade. Parabéns continue assim e caso possa passar essas denúncias para o MTE ficarei grato. E se souber de algum emprego fale comigo.

Agora é oficial: Nelson Nahim é o novo presidente da FENORTE

O extrato do Diário Oficial do Estado mostra que Nelson Nahim é efetivamente o substituto do ex-reitor da UENF, Almy Junior, que foi exonerado do posto de presidente da Fundação Estadual do Norte Fluminense na última 5a. feira enquanto participava de uma reunião com o atual reitor e representantes da FAETEC.


Conhecendo relativamente a situação agônica em que a FENORTE está afundada nos últimos anos, eu fico me perguntando se essa nomeação é um prêmio ou uma punição para Nelson Nahim. Afinal de contas, o orçamento atual mal dá para pagar o salário de um corpo de servidores que está tão desmotivado a continuar na FENORTE que criou um movimento político chamado "INCORPORAÇÃO JÁ" que simplesmente pede a assimilação ao quadro de servidores da UENF!

Esperemos agora qual será o destino do ex-reitor Almy Junior que entrou na FENORTE tão cheio de sonhos, e agora se viu na situação constrangedora de participar de uma reunião ostentado um cargo do qual já havia sido exonerado e ninguém aparentemente o tinha avisado.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Neco visita de novo o Complexo do Açu. Não deve ter encontrado a normalidade esperada!


O Prefeito de São João da Barra, José Amaro de Souza (o Neco) parece mesmo um fã inabalável do Porto do Açu. É que o blog corporativo mantido pela LL(X) para dar uma versão róseo da situação do megaempreendimento de Eike Batista acaba de noticiar mais uma visita de Neco nesta 3a. feira (04/06), novamente acompanhada de Carla Machado,  agora supostamente para conhecerem (novamente!) detalhes do empreendimento.

Para quem não se lembra, Neco e Carla Machado já tinham visitado o Porto do Açu no dia 10/05 (Aqui!), quando a dupla teria ido visitar o empreendimento para "prestar solidariedade" ao Grupo EB(X).  Logo após a visita, Neco teria declarado que em 60 dias tudo estaria normalizado. Em função disso, eu havia carinhosamente apelidado o prefeito Neco de "oráculo do Porto do Açu" (Aqui!).

Como se pode ver da postagem abaixo, o prazo de 60 dias para normalização não vai ser cumprido nem que a vaca tussa.  É que por estimativas mais do que otimistas, o Porto do Açu só começa a funcionar na segunda metade de 2014.  Mas pelo menos depois dessa visita, ainda não tem noticia de qualquer novo prazo dado pelo prefeito Neco para as coisas se "normalizarem".  Aliás, pelo vazio em que se encontra o canteiro de obras do Açu, o prefeito Neco já deve ter se convencido de que de normal a situação lá não tem nada.

Agora o que eu fico curioso mesmo é sobre a constante presença da ex-prefeita Carla Machado nessas frequentes visitas de Neco ao Complexo do Açu. A imagem abaixo talvez explique!


Prefeito e vereadores de São João da Barra visitam o Açu

O Complexo Industrial do Superporto do Açu recebeu hoje a visita de uma comitiva formada por representantes da Prefeitura e da Câmara de Vereadores de São João da Barra. Participaram do grupo o prefeito José Amaro de Souza (Neco), o presidente da Câmara, Aluízio Siqueira e a ex-prefeita Carla Machado, além de secretários de governo, vereadores e representantes de várias secretarias. O grupo, composto por cerca de 40 pessoas, foi recebido pelo diretor de implantação da LLX, Luís Baroni. Além de conhecerem detalhes do empreendimento, eles puderam acompanhar de perto o avanço das obras dos terminais TX1 (offshore) e TX2 (onshore), além das empresas que já estão se instalando no empreendimento. Durante o encontro, foi informado que não houve alteração no cronograma de obras da LLX e que a previsão é que a operação das empresas que estão se instalando no Superporto do Açu seja iniciada neste ano.

Via Campesina lança documento sobre os conflitos territoriais no Brasil


Posição da Via Campesina Brasil sobre a questão dos territórios: camponeses, indígenas, quilombolas e pesqueiros!

Vivemos um período de intensa pressão do capital, (com a conivência e apoio do Estado e dos Governos Brasileiros), sobre os territórios camponeses, indígenas, quilombolas e pesqueiros. 

Esta pressão é percebida pelo avanço dos empreendimentos de mineração, pelo avanço das hidroelétricas, rodovias, ferrovias, dos monocultivos do agronegócio... e pelo desmonte da legislação de proteção aos territórios tradicionalmente ocupados. 

Este desmonte pode ser percebido através das propostas de emendas constitucionais 215/2000 (Inclui dentre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e a ratificação das demarcações já homologadas; estabelecendo que os critérios e procedimentos de demarcação serão regulamentados por lei.), 038/1999 (Acresce inciso XV ao art. 52 da Constituição Federal para incluir entre as competências privativas do Senado Federal aprovar o processo de demarcação das terras indígenas.) e 237/2013 (Acrescente-se o art. 176-A no texto Constitucional para tornar possível a posse indireta de terras indígenas à produtores rurais na forma de concessão.). Também pelas portarias 419/11 (regulamenta a atuação de órgãos e entidades da administração pública com o objetivo de agilizar os licenciamentos ambientais de empreendimentos de infra-estrutura que atingem terras indígenas.), portaria 303/12 (manifesta uma interpretação extremamente abrangente, geográfica e temporalmente, em relação às Condicionantes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do caso Raposa Serra do Sol (Petição 3388), estendendo a aplicação das mesmas a todas as terras indígenas do país e retroagindo “ad eternun” sua aplicabilidade. A portaria determina que os procedimentos já “finalizados” sejam “revistos e adequados” aos seus termos.) e o decreto 7957/13 (Institui o gabinete permanente de gestão integrada para a proteção do meio ambiente, regula a atuação das forças armadas na proteção ambiental; altera o decreto 5.289, de 29 de novembro de 2004 e da outras providências. Com esse decreto, “de caráter preventivo ou repressivo”, foi criada a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, tendo como uma de suas atribuições “prestar auxílio à realização de levantamentos e laudos técnicos sobre impactos ambientais negativos”. Na prática isso significa a criação de instrumento estatal para repressão militarizada de toda e qualquer ação de comunidades tradicionais, povos indígenas e outros segmentos populacionais que se posicionem contra empreendimentos que impactem seus territórios. A Força pode ser solicitada por qualquer Ministro do Governo Federal). 

Este processo de ofensiva contra os territórios têm levado os povos indígenas do Brasil ao enfrentamento. Diversas mortes, ameaças, “acidentes mal explicados” e conflitos ocorrem diariamente.

Diante disso a Via Campesina vem a público para manifestar:

1) Repudio ao tratamento dado aos camponeses, povos indígenas, quilombolas e pescadores deste país.

2) Territórios tradicionalmente ocupados (camponeses, indígenas, quilombolas e pesqueiros) são sagrados, devem ser demarcados e respeitados.

3) Se hoje existe um conflito na ocupação destes territórios é porque o Estado Brasileiro permitiu, negligenciou ou até incentivou esta ocupação, inclusive emitindo documentos de terra. Portanto cabe ao Estado Brasileiro reconhecer, demarcar e respeitar os territórios e reassentar e indenizar as famílias camponesas, construindo desta forma uma solução definitiva para os conflitos. 


Brasília, 04 de junho de 2013.
Via Campesina Brasil

Portal OZK informa: Mais de oitenta funcionários da AGF Engenharia demitidos no Porto do Açu

Leonardo Ferreira

As primeiras informações que chegam a redação do Portalozk.com dão conta de que houve demissão de mais de oitenta funcionários da empresa AGF Engenharia no Complexo Portuário do Açu, no 5º Distrito de São João da Barra, nesta terça-feira (04). A informação foi confirmada pela assessoria em exatas 86 demissões. Em nota, a empresa OSX, do empresário Eike Batista, informou que:

A OSX está realizando adequações no quadro de colaboradores próprios e terceiros alocados na implantação do estaleiro da companhia no Açu, tendo em vista o faseamento das obras do empreendimento divulgado no novo Plano de Negócios da companhia”.

Carlos Rezende critica tentativa do governo Cabral de destruir o modelo institucional criado por Darcy Ribeiro para a UENF




Uma reflexão sobre a UENF que estamos construindo e devemos manter: não à precarização da DE que ameaça destruir o nosso vitorioso modelo institucional!

A Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) foi criada dentro de uma atmosfera de inovação em sua concepção original e desde a sua fundação. Este modelo institucional, hoje em risco devido a posturas que efetivamente ignoram os impactos dessa originalidade na vitoriosa evolução que tivemos em menos de 20 anos, nasceu com 100% do seu corpo docente com doutorado e dedicação exclusiva e um corpo técnico também altamente qualificado com formação e especialização (ex.: Mestrado, Doutorado ou experiência acadêmica compatível). No plano acadêmico tínhamos um ciclo básico comum (CBC) que depois de poucos anos de funcionamento, em meio à resistência interna por parte de núcleos conservadores, acabou sendo extinto. No entanto, recentemente com a criação de algumas instituições federais (ex.: Universidade Federal do ABC e Universidade Federal dos Vales dos Rios Jequitinhonha e Mucuri) este modelo foi reproduzido e, pasmem, considerado inédito. Primeiro elemento para reflexão.

Vivendo intensamente estes 20 anos dentro da UENF, pois estou nesta instituição desde a sua criação, ou melhor, antes mesmo do seu início formal em 1993, pois trabalho neste projeto desde 1992, ainda no Rio de Janeiro na antiga FAEP, pude presenciar diferentes momentos onde se procurou os caminhos mais fáceis. Mas nos momentos anteriores, a razão venceu e a instituição começou a apresentar indicadores de desempenho que podem ser considerados acima da média para uma jovem instituição. Como chegamos a este nível? Certamente, devido à dedicação de um grande número de docentes e técnicos, e também devido ao nível de qualificação destes profissionais. Já tivemos no quadro da instituição cerca de 10 membros titulares da Academia Brasileira de Ciências que, em muito, contribuíram para o desenvolvimento da UENF. Esta instituição, desde o seu início, teve como norteador o ensino e a pesquisa em nível elevado, e considerando a extensão como um elemento adicional para transformação junto a nossa atividade fim. Assim, considero que o direcionamento conceitual da UENF deva continuar sendo dado por aqueles que apresentam um mínimo de expressão acadêmica. Ainda reconheço que existem casos que despertam atenção, pois não têm um regime de publicação e orientação compatível com o que se esperaria de um docente com dedicação exclusiva, mas este seria um elemento de trabalho institucional, e não um motivo para se acabar com a Dedicação Exclusiva. Em síntese, e parafraseando o ilustre Prof. Carlos Chagas Filho, eu diria que nossa instituição ensina e tem obtido bons indicadores é porque fazemos pesquisa de alto nível, e isto só foi possível por estarmos desde nossa fundação sob um regime de Dedicação Exclusiva.  Segundo elemento para reflexão.

A situação salarial na qual nos encontramos, não é uma novidade na UENF, pois com a falta de uma política de reajuste anual, sempre nos deparamos com situações como a atual. Para usar o termo do momento, a distorção salarial na UENF atinge todos os segmentos e não há necessidade de fazer muito esforço para esta constatação. No entanto, no que tange ao corpo docente os constantes editais de concurso público para as Universidades Estaduais e Federais expõem o nível de defasagem salarial dentro no núcleo de servidores docentes. No entanto, gostaria de informar para os que não viveram o conjunto da história da UENF, que esta não é a primeira vez que nos defrontamos com uma situação como esta, ou seja, um grupo a favor da quebra da DE e outro não. Os argumentos foram e são os mais variados, mas incluem: 1) não existem doutores suficientes em todas as áreas do conhecimento e precisamos de profissionais que não sejam doutores atuando como docentes; 2) não precisamos de doutores em todas as áreas e vejam as outras instituições elas não possuem 100% do seu quadro docente com DE; 3) não conseguiremos atrair doutores com este nível salarial.

No entanto, apesar da existência continuada desses argumentos, a UENF sempre resistiu aos diferentes ataques ao seu modelo institucional. No passado houve uma proposta de curso onde os profissionais não possuíam qualificação, mas se ventilou a possibilidade de atribuir o título de “Notório Saber” a um conjunto de profissionais que sequer possuíam o título de graduação na área em que estão.  Esta tentativa não deu certo, pois a UENF se manteve soberana e fiel ao seu modelo institucional. Agora, sob a capa do pagamento de um direito relativo justamente ao nosso regime de trabalho, novamente nos defrontamos com uma proposta que fere mortalmente um modelo institucional que vem sendo perseguido por outras instituições. Além disso, prezados colegas, não faz o menor sentido termos que aceitar uma proposta para remuneração da Dedicação Exclusiva que, ao mesmo tempo, efetivamente a destrói. A argumentação feita pelos técnicos da SEPLAG de que não existe uma universidade com 100% de docentes com DE não é aceitável, pois a UENF veio como uma proposta de modelo institucional inovadora e como tal, precisa ser defendida e devidamente entendida por todos nós. Além disso, essa visão ignora a tendência inexorável de que todas as universidades públicas brasileiras venham a ser em médio prazo formadas por corpos docentes constituídos apenas por doutores trabalhando sob o regime de Dedicação Exclusiva. Portanto, quando dentro do quadro docente, se abre mão de um modelo institucional por uma questão financeira de natureza imediatista, estamos comprometendo o futuro da UENF. Terceiro elemento para reflexão.

Em última análise, sei que não é fácil resistir à tentação de se obter ganhos financeiros imediatos, mas esta proposta é tão frágil quanto aos que a defendem como a última possibilidade para recebermos algum tipo de benefício financeiro. No passado tivemos lutas tão importantes quanto a atual, onde mantivemos intacto o modelo institucional e o nosso regime de trabalho. Para os que não conhecem, houve um tempo onde a proposta era criar uma bolsa para os docentes, para nos dar a mesma benesse representada pelo Pró-ciência. Entretanto, nós resistimos e conseguimos uma reposição salarial. Em outro momento, se dizia que a única saída para manter um grupo de docentes era a cooperativação destes profissionais numa cooperativa mantida dentro de uma instituição local. Mais uma vez, nós resistimos e conseguimos mantê-los dentro da UENF até que fossem realizados os concursos. Também houve um tempo, onde o ponto dos que estavam em greve, para defender a autonomia administrativa da UENF em relação à FENORTE foram cortados. E novamente, nós resistimos e conseguimos a aprovação da lei que deu à UENF a autonomia de que desfrutamos nos dias de hoje. E mais recentemente, quando se dizia que não conseguiríamos os 22% concedidos aos técnicos administrativos com posturas supostamente radicais, nós resistimos, mantivemos nossa coerência e conseguimos esta reposição salarial.

Agora chegou a hora de resistirmos à uma tentativa que manifestadamente visa destruir o nosso vitorioso modelo institucional. A nossa unidade e disposição para defender os nossos direitos nos dará a condição de garantir a devida remuneração da DE sem que tenhamos de abrir mão do nosso modelo institucional. Quarto e Último elemento para reflexão.  

Concluindo, ressalto que poderia incluir outros elementos, mas para não ampliar demasiadamente minhas reflexões, procurei manter um direcionamento em alguns pontos que considero relevante para iniciarmos nossas ponderações sobre o presente e futuro da nossa instituição e do nosso corpo docente exposto as constantes situações de constrangimento funcional.

Carlos Eduardo de Rezende (Carlão) – Um dos primeiros membros do corpo docente da UENF, atualmente é Professor Titular e Chefe do Laboratório de Ciências Ambientais; Bolsista de Produtividade do CNPq desde 1993 e Cientista do Nosso Estado. Participou de outras instâncias administrativas na UENF. Um dos fundadores da ADUENF, além de ter participado de 2 gestões desta Associação.