sexta-feira, 31 de maio de 2013

BC e lojas como a Zara viram alvo de protestos na Alemanha

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Em três dias de manifestações contra o capitalismo, alemães prometem bloquear uma série de locais em Frankfurt

São Paulo – O movimento Blockupy, organizado por meio da internet, promete bloquear importantes pontos de Frankfurt, na Alemanha, e locais como lojas de varejo em uma onda de protestos contra o capitalismo.

As manifestações já se espalham pela cidade. A região próxima ao prédio principal do Banco Central Europeu e grandes varejistas, como a Zara, já entraram na mira dos manifestantes. Os protestos começaram na quinta-feira e há manifestações programadas até sábado.









quinta-feira, 30 de maio de 2013

ONG britânica é vítima das sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba

Departamento do Tesouro confiscou fundos da Cuba Solidarity Campaign destinados à compra de livros sobre o embargo

"The Economic War against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade" foi publicado pela Montly Review Press, editora localizada em Nova York, em abril de 2013 (1). O livro apresenta uma perspectiva histórica e jurídica das sanções econômicas que os Estados Unidos impõem a Cuba desde 1960 e avalia particularmente seu impacto em campos como a saúde, que afetam gravemente as parcelas mais vulneráveis da população cubana já que impedem que a ilha tenha acesso aos medicamentos e a equipamentos médicos fabricados no território estadunidense.

A obra ressalta o caráter anacrônico, cruel e ineficaz de um estado de sítio que data da Guerra Fria, que atinge de modo indiscriminado todos os setores da sociedade – a começar pelos mais frágeis – e que tem sido incapaz de alcançar seu objetivo, ou seja, a derrocada do governo cubano. Do mesmo modo, lembra que as sanções contra Cuba são repudiadas pela imensa maioria da comunidade internacional, com 188 países que votaram pela 21ª vez consecutiva em 2012 contra o embargo econômico, comercial e financeiro. Por outro lado, 67% da opinião pública estadunidense deseja uma normalização das relações com Cuba, uma vez que os norte-americanos não entendem porque podem viajar para a China, o Vietnã ou a Coreia do Norte, mas não para a maior ilha do Caribe.

Carlos Latuff/Opera Mundi

Um capítulo completo trata do caráter extraterritorial das sanções econômicas, as quais violam o direito internacional. De fato, uma legislação nacional não pode ser aplicada em um país terceiro. Por exemplo, a lei francesa não pode ser aplicada na Alemanha e a lei brasileira não pode ser aplicada na Argentina. Pois bem, a lei sobre as sanções econômicas se aplica a todos os países do mundo e um escritório especial do Departamento do Tesouro, o Ofac (Office of Foreign Assets Control), se encarrega dela.

Em abril de 2013, a ONG britânica CSC (Cuba Solidarity Campaign) decidiu comprar 100 exemplares do livro The Economic War Against Cuba e pediu ao seu banco inglês, Co-operative, para pagar a fatura através de uma transferência para a conta da Montly Review Press no banco Chase.

Contudo, a transação não pôde ser realizada. De fato, a Ofac decidiu bloquear os fundos e exigiu à ONG britânica que explicasse em detalhe suas relações com Cuba. Rob Miller, diretor da CSC, expressou seu assombro: “Está se usando uma legislação extraterritorial sobre as sanções econômicas contra Cuba para impedir a venda de um livro no Reino Unido que expõe o alcance do bloqueio contra Cuba [...]. O caráter ridículo do bloqueio estadunidense é ilustrado mais uma vez com este caso, quando tentam impedir que os leitores britânicos de lerem um livro publicado por uma editora norte-americana”.

É claro que essa não é a primeira vez que os Estados Unidos aplicam de modo extraterritorial as sanções contra Cuba. Para citar um exemplo, se a empresa alemã Mercedes deseja exportar seus carros aos Estados Unidos, tem de demonstrar ao Departamento do Tesouro que seus carros não contêm nem um grama de níquel cubano. Do mesmo modo, se um confeiteiro francês deseja vender seus produtos no mercado estadunidense, tem de demonstrar que não contêm nem um só grama de açúcar cubano. Assim, não apenas as sanções econômicas contra Cuba constituem o principal freio para o desenvolvimento do país, elas também representam um obstáculo para as relações comerciais da ilha com o resto do mundo. Algumas vezes com consequências insólitas.

Notas de Rodapé:

(*) Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama The Economic War Against Cuba. A Historical and Legal Perspective on the U.S. Blockade, New York, Monthly Review Press, 2013, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade. Contato: lamranisalim@yahoo.fr ; Salim.Lamrani@univ-reunion.fr /Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

O mico bilionário do Maracanã pode ser o Waterloo de Sérgio Cabral



O (des) governador Sérgio Cabral teria muito a temer da justiça se não vivesse no Brasil. A última demonstração de sua ação desastrosa é a interdição em primeira instância do uso do Estádio Mário Filho (Maracanã) para o jogo que deverá ocorrer amanhã entre as seleções do Brasil e da Inglaterra. É de que depois de se gastar em torno de R$ 1,5 bilhão, a justiça teve que suspender o seu uso por, pasmemos todos, falta de segurança oriunda da continuidade das obras no entorno imediato do Maracanã.

Como os interesses envolvidos são muito grandes, não será de se estranhar que uma instância superior suspenda a proibição. Mas eu desconfio que o estrago já está feito. E Cabral terá que orar para todos os orixás que nada de errado aconteça se o jogo vier a acontecer no Maracanã. De fato, dado o envolvimento direto de seu escolhido para candidato a governador em 2014, o vice-governador Pezão, estar envolvido até a medula nessa malfadada reforma, o Maracanã poderá se tornar o Waterloo de Cabral.  Não seria nada mais do que um amplo exercício de justiça poética.


Para variar de tema, um poema de Paulo Leminski

Todo desaparecimento prematuro é lamentável, mas alguns desaparecimentos prematuros são mais lamentáveis do que os outros. Nesse último grupo coloco Paulo Leminski cuja inquietação intelectual o transformou numa espécie de "Jack-of-all-trades" intelectual. Com Leminski compartilho parte das origens genéticas e de sua inquietação com o jeito em que o mundo funciona.

Agora acabo de comprar um coletânea de seus poemas que acaba de ser lançada pela editora Companhia das Letras. É um daqueles livros que valem a pena cada centavo que se usa para tê-lo e cada árvore que foi cortada para imprimi-lo.

Apesar de ter outros poemas favoritos, selecionei uma tradução que Leminski fez de um poema escrito no Século XIX pelo poeta polonês Adam Mickiewicz.

Polaly sie lzy me czyste, rzesiste,
Na me Dzieciństwo sielskie, anielskie,
Na moja młodość, górna i durna,
Na mój wiek meski, wiek kleski,
Polaly sie lzy me czyste, rzesiste....

Choveram-me lágrimas limpas, ininterruptas,
Na minha infância campestre, celeste,
Na mocidade de alturas e loucuras,
Na minha adulta, idade de desdita;
Choveram-me lágrimas limpas, ininterruptas....


Mais um colaborador próximo abandona a barca de Eike Batista





Pelo que acaba de informar o jornalista Lauro Jardim em seu blog Radaroline na Revista Veja, mais um figurão abandonou a nau desgovernada de Eike Batistta. Agora foi a vez de Roberto D´Avila que cumpria o papel de midiatizar os feitos e conqustas do ex-menino de ouro do desenvolvimentismo petista.

Bom no ritmo em que anda a venda de ações nas empresas "X" para corporações multinacionais que ninguém se surpreenda se o próximo a partir for o próprio Eike. Não seria o primeiro capitalista a abandonar sua criatura corporativa imersa em dificuldades.

Fico imaginando o que os Eiketes (ou Eike boys) estarão pensando nesse momento. No mínimo essa partida surpreendente também desse ser culpa dos que estão na "torcida do contra". Afinal, há quem culpe sempre o mensageiro. Já o Roberto D´Avila partiu e nem mandou recado! E olha que, como diz Lauro Jardim, era um dos mais próximos colaboradores de Eike!



Mais um
D'Avila e Eike: colaboração de quase uma década

Depois de oito anos, Roberto D’Avila, um dos mais próximos colaboradores de Eike Batista, deixou o grupo EBX.

Massacre indígena continua no Brasil: Polícia Federal assassina índio terena no MS


Morre índio ferido em confronto com a Polícia, outros três ficaram feridos

Aline dos Santos e Viviane Oliveira, de Sidrolândia


Família na entrada do hospital onde terena morreu na manhã de hoje. (Foto: João Garrigó)

Morreu um dos índios feridos na desocupação da fazenda Buriti, realizada hoje em Sidrolândia pela PF (Polícia Federal) e Cigcoe (Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais). A informação do óbito foi confirmada pelo hospital beneficente Dona Elmira Silvério Barbosa, para onde foram levados 4 terenas.

A vítima é Oziel Gabriel, 35 anos. Ele era da aldeia Córrego de Meio e estava acampado na fazenda desde o dia 15. Segundo amigos, ele era estudante do Ensino Médio e foi até a área para reforçar a luta pela retomada das terras.

A família de Oziel está no hospital, inclusive a mãe, e diz que o índio foi baleado no peito. Quando o corpo foi colocado no carro da funerária, os índios gritaram palavras de ordem, chamando o terena de "guerreiro".

Os terena foram levados ao hospital em carros de terceiro e caminhonete da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena).

O avicultor Rodrigo Cunico, de 29 anos, passava de carro pela estrada e encontrou os feridos, inclusive Oziel. “Tinha um caído, com ferimento na barriga. Ele estava inconsciente”, relata.

Bastante nervoso, um indígena, que não quis se identificar, relatou que cerca de 50 policiais federais e da Cigcoe chegaram às 6h da manhã. Ele relata que foram pegos de surpresa, pois aguardavam serem intimados da decisão por um oficial de justiça. Os índios resistiram e houve confronto.

A fazenda foi invadida pelos terenas em 15 de maio. No mesmo dia, saiu uma decisão para que os índios deixassem o local. Mas a reintegração não foi cumprida no dia 18 e a decisão acabou suspensa até ontem, quando foi realizada audiência na Justiça Federal. Sem acordo entre as partes, o juiz Ronaldo José da Silva determinou o cumprimento da reintegração de posse.

Os índios reivindicam 17 mil hectares da aldeia Buriti que estão na posse de fazendeiros e que foram identificados em 2011 como terra indígena. A imprensa não teve acesso à fazenda Buriti. Um bloqueio com oito policiais armados impediu a entrada dos jornalistas para acompanhar o despejo dos terenas.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Produtora de transgênicos Monsanto enfrenta onda de protestos pelo mundo


Movimento na internet já mobilizou dois milhões de pessoas. Elas acusam a multinacional de usar sementes transgênicas para obter monopólio da indústria alimentícia

por Deustche Welle

Robyn Beck / AFP
Em Los Angeles, ativistas norte-americanos protestam contra a Monsanto e os organismos geneticamente modificados (GMO, na sigla em inglês)

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Uma série de protestos contra a Monsanto mobiliza manifestantes em várias partes do mundo. As demonstrações, que começaram no Facebook, ganharam as ruas de 52 países em 436 cidades e mobilizaram até dois milhões de pessoas no último fim de semana. No Brasil, onde a empresa mantém uma unidade de produção, os protestos não tiveram muita repercussão.

A "Marcha contra a Monsanto" já tem novas datas agendadas – a próxima acontece em julho. Os manifestantes acusam a Monsanto de fazer uso de sementes modificadas para obter o monopólio da indústria alimentícia e de forçar a dependência dos agricultores. Para atingir esse objetivo, a empresa teria se infiltrado no política e na área científica. Ativistas alegam ainda que a produtora global tenta patentear a vida e coloca em perigo a saúde dos consumidores.

A multinacional contesta as acusações. "O uso da engenharia genética é segura", alegou Ursula Lüttmer, da Monsanto Alemanha. Em entrevista à DW, ela afirma que a segurança da tecnologia já foi comprovada em diversos estudos. E ainda: os manifestantes se recusam a aceitar esse fato e fazem uma "leitura seletiva" das informações.

A empresa se defende dizendo que os investimentos visam à agricultura sustentável, que ajude a produzir mais, além de proteger os recursos e promover um melhor padrão de vida. Lüttmer disse ainda que até hoje não foram encontradas quaisquer desvantagens para os seres humanos, animais e meio ambiente.

Transgênico liberado no Brasil Nenhum outro grupo prioriza tanto investimentos em alimentos geneticamente modificados como a Monsanto. A companhia também tem a política de comprar outras empresas menores e, por isso, fica cada vez maior. Críticos dizem que se trata de um "quase monopólio". No Brasil, a multinacional está instalada desde 1963 e produz sementes transgênicas de soja, milho e algodão.

Na Alemanha, o cultivo de plantas geneticamente modificadas é proibido até para fins de teste. Em outras partes da Europa, as sementes da batata transgênica Amflora, da empresa Basf e o MON 810, um tipo de milho produzido pela Monsanto, são liberadas. As áreas de cultivo no continente, por outro lado, são pequenas em comparação com a América do Sul e do Norte.

Briga por lucro faz empresas dependentes revoltadas Inicialmente, muitos agricultores dos EUA estavam entusiasmados com o sucesso econômico que a Monsanto prometeu. As plantas geneticamente modificadas e o herbicida correto seriam as garantias de lucro fácil para o produtor. No entanto, os agricultores precisam comprar novas sementes a cada ano. A tentativa de fazer a multiplicação da semente por conta própria, alega a Monsanto, configura uma violação de patente.

Ao mesmo tempo, aponta a especialista em transgênico Stephanie Töwe, do Greenpeace, o agricultor precisa lutar contra o aumento da resistência das sementes. "É por isso que o uso de agrotóxicos tem aumentado drasticamente nos Estados Unidos nos últimos anos. Brasil e Argentina também entraram na lista por causa do plantio da soja e do milho geneticamente modificados", diz Towe. Isso explica o desenvolvimento de novos transgênicos, capazes de suportar mais pesticidas.

O Greenpeace considera este ciclo "perverso": "Estas plantas precisam ser testadas em animais nos laboratórios, como se fossem medicamentos. Existem plantas suficientes no mundo que podem ser cultivadas sem precisarem de tais testes." A organização considera sementes geneticamente modificadas desnecessárias, com riscos potenciais que geralmente não podem ser estimados.

Viuonline informa: Porto do Açu vai demitir mais 700 trabalhadores


A operação do ministério que resultou em multas para 25 empresas que atuam no Porto do Açu, em São João da Barra, foi iniciada após denúncias sobre as más condições de trabalho no Complexo Industrial, que já teve 8 mil trabalhadores contratados. A ação do MTE não incluiu as obras do estaleiro da OSX, mas ocorre em meio a uma série de demissões recém anunciadas na empresa, braço de construção naval da EBX.

O estaleiro, localizado dentro do complexo, empregava até o início do ano, direta e indiretamente, cerca de 3 mil pessoas em suas obras. Nos últimos meses, entretanto, já foram demitidos pelo menos 800 funcionários. A OSX confirma apenas a dispensa de 315 dos 575 contratados diretos. Em resposta enviada a um questionamento do Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a companhia informou que "com o ajuste da equipe de colaboradores da OSX, serviços de apoio e terceirizados também passam por adequações".

Nas contas do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário no Estado do Rio de Janeiro, porém, são mais de 1 mil demitidos. Na tarde de terça-feira, dia 27, foi realizada uma audiência no Ministério Público do Trabalho em São João da Barra, com empresas contratadas e subcontratadas para a construção do estaleiro. De acordo com o presidente do sindicato, José Carlos Eulálio, outras 700 demissões graduais estão previstas na unidade de construção naval da OSX.

No dia 17, a OSX divulgou um comunicado informando alterações em seu plano de negócios. A empresa terá um aumento de capital de US$ 120 milhões a partir do exercício parcial de uma opção de venda do controlador Eike Batista. Outros US$ 380 milhões ficam disponíveis para exercício até março de 2014.

A companhia dará prioridade a projetos geradores de caixa da unidade de "leasing" e à conclusão da obra da fase inicial do estaleiro para atender a atual carteira de encomendas. Segundo o comunicado, a retomada de futuras fases de construção do estaleiro se dará de acordo com a "confirmação de novas perspectivas quanto a demanda da clientela e correspondente equacionamento econômico-financeiro". As informações são do Jornal Estado de São Paulo. 

*AE/VIUonline

A nova licença ambiental do Porto do Açu e os inabaláveis otimistas



A LL(X) está alardeando aos quatro ventos uma notícia que até bem pouco tempo seria algo mais do que banal: a obtenção de mais uma licença ambiental "Fast Food" por parte do INEA. A nova licença é para a instalação do terminal TX-2, segundo o que informa o Valor Econômico (Aqui!).  Aliás, alguém ainda se surpreende com a informação de que o INEA concedeu mais uma dessas licenças ´pela secretaria dirigida pelo ex-ecologista Carlos Minc?

Mas a difusão dessa notícia dá gás para os inabaláveis otimistas na mídia empresarial local que, apesar de estarem mais murchos em seus espaços de defesa do Porto do Açu, agora estão usando o estranho argumento de que não "houve operação de descontinuidade" no combalido empreendimento de Eike Batista.  Ora, 1.500 demissões mais tarde, cancelamentos de vários contratos (inclusive o que acaba de ser cancelado pela Kingfish) não há solução de descontinuidade no Porto do Açu? Haja otimismo!!

Mas um detalhe agora é acrescido à chorosa cantilena: os que criticam o Porto do Açu e/ou mostram sua situação caótica são contra o desenvolvimento regional. Acho que vou precisar convidar alguns desses otimistas para compartilhar com meus alunos um curso que estou ministrando na UENF sobre desenvolvimento regional. É que com essa defesa apaixonada de um empreendimento tão problemático, o que esses articulistas mostram é que não possuem a vaga idéia do que desenvolvimento significa.

Índios tomam ônibus e rádios de comunicação em Belo Monte

Por André Borges | Valor

BRASÍLIA - O grupo de aproximadamente 140 índios que ocupa, desde a madrugada de segunda-feira, o canteiro de obras da usina de Belo Monte, tomou cinco ônibus de trabalhadores e dezenas de rádios de comunicação utilizados por funcionários do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM). Informações locais dão conta de que os índios teriam utilizado os ônibus para bloquear uma das rotas de fuga do canteiro, uma saída de emergência em caso de evacuação em massa. 

A reivindicação indígena é a mesma que levou à paralisação da obra há menos de um mês. Os índios querem a paralisação imediata das obras em andamento e planejadas para a região amazônica, e pedem que haja uma consulta prévia às aldeias antes de que qualquer processo de licenciamento seja iniciado.

A ocupação, teoricamente, deve acabar nesta tarde, conforme decisão do juiz federal Sérgio Wolney de Oliveira Batista Guedes, da Subseção Judiciária Federal de Altamira, que ontem determinou a reintegração de posse do canteiro Belo Monte, com um prazo de 24 horas para que a Fundação Nacional do Índio (Funai) providencie uma saída pacífica e voluntária dos manifestantes. Líderes da ocupação, no entanto, já informaram que não pretendem deixar o local.

A internet passou a ser um instrumento de mobilização dos índios. Por meio de redes sociais, eles estão pedindo doações em dinheiro para que possam comprar geradores de energia e cartões de telefone para que possam carregar seus celulares e utilizar a web. 

O CCBM nega que tenha cortado a luz do canteiro. Os índios, segundo o consórcio, estariam impedindo que os funcionários abastecessem os geradores com óleo diesel.