segunda-feira, 3 de setembro de 2012

EM SUA ÚLTIMA ENTREVISTA DE CARDEAL ITALIANO CARLO MARTINI FAZ UMA CRÍTICA PROFUNDA DOS DESTINOS DA IGREJA CATÓLICA


A matéria abaixo publicada pelo jornal inglês "The Indepedent" dá conta de um assunto que foi literalmente escondido pela imprensa brasileira. Trata-se da repercussão da última entrevista dada pelo respeitado cardeal italiano Carlo Maria Martini antes de sua morte.

E o conteúdo desta entrevista é explosivo. O Cardeal Martini afirmou, entre outras coisas, que a Igreja Católica estava atrasada em pelo menos 200 anos, e que a cultura da instituição é velha, os tempos são grandes e vazios de gente, a burocracia domina cada vez mais os destinos da igreja, e o vestuário e os rituais são muito pomposos. 

Para o Cardeal Martini, o escândalo dos padres pedófilos obrigam a que a Igreja Católica tenha que realizar uma jornada de transformação.

E pensar que o Cardeal Martini era o principal candidato a suceder João Paulo II. Para azar dos católicos, Martini foi diagnosticado com uma forma rara do Mal de Parkinson, e ai assumiu o ultraconservador Ratzinger. Mas Martini deu um jeito de ir para o túmulo atirando no coração do sistema de poder da Igreja.


One of Italy's most revered cardinals has stunned the Catholic Church by issuing a damning indictment of the institution from the grave, calling for its "transformation".

Hours after Milan's former Archbishop, Cardinal Carlo Maria Martini, died on Friday at the age of 85, the leading daily paper Corriere della Sera printed his final interview, in which he attacks the Church – and by implication its current leadership – for being "200 years out of date".

"Our culture has aged, our churches are big and empty and the church bureaucracy rises up, our rituals and our cassocks are pompous," the Cardinal said. "The Church must admit its mistakes and begin a radical change, starting from the Pope and the bishops. The paedophilia scandals oblige us to take a journey of transformation."

Church insiders believe he wished for the interview to be published following his death.

Cardinal Martini, who was on the liberal wing of the church hierarchy, was once tipped to succeed John Paul II as Pope. His chances of being elected fell away when he revealed he was suffering from a rare form of Parkinson's disease and he retired as Archbishop in 2002. Instead, the ultra-conservative German cardinal Joseph Ratzinger became Pope Benedict XVI in 2005.

The body of Cardinal Martini has been laid out in Milan cathedral since noon on Saturday, with thousands of people coming to pay their last respects. His funeral will take place there this afternoon.

The left-wing Mayor of Milan, Giuliano Pisapia, who recently angered church authorities by recognising gay couples and providing them with the same rights the city gives married couples, led the tributes to the dead Cardinal. "Difficult times require words of wisdom and hope from great men," he said. "Carlo Maria Martini illuminated the way for the entire city, not just for part of it. For this reason, today more than ever, Milan mourns its Archbishop".

Cardinal Martini was noted for supporting the use of condoms, at least a decade before the Vatican grudgingly accepted they might be acceptable in certain situations to prevent the transmission of HIV. He also questioned the Church's line on gay relationships and divorce – calling on it to reconsider what constituted a family in the 21st century or risk losing even more of its flock.

Conservative voices in the Church tried to repair damage caused by Cardinal Martini's criticism. Marco Tarquinio, the editor of the bishops' daily paper, L'Avvenire, accused the mainstream press of distorting the Cardinal's comments, although he did not give specific examples.

"The attempts to distort and manipulate in an anti-ecclesiastical way the Cardinal's final hours on this earth are a bitter reminder of similar actions against even the blessed John Paul II," he said.

The suspicion – ever present in Italy – that the Vatican has tendrils everywhere, even in the mainstream press, was heightened by the failure of the article to appear on the Corriere della Sera website. Following inquiries by The Independent, Corriere's editor, Ferruccio de Bortoli, said there had been no pressure to keep the article off the website. It was then published online yesterday evening. Other leading newspapers failed to give the cardinals' comments much coverage.

Robert Mickens, the Rome correspondent of The Tablet, called for Cardinal Martini's deathbed comments to be taken very seriously.

"They must be seen in the context of coming from a man who loved the Church and who gave his life to the institution. He made a profound statement, which he had already said many times to Benedict and John Paul II in private," he said.

Cardinal Martini caused controversy in his final days after refusing artificial feeding, contravening church policy on end-of-life issues.

Mr Mickens said that although Cardinal Martini's ideas had "zero support" in the Vatican, he was revered by rank and file members. "The people in the trenches looked up to him. He was a giant. We're in a very conservative period. But that won't last forever. A whole generation have been inspired by Martini's writings. That will be his legacy."

Cardinal Martini: A holy life

Carlo Maria Martini was born in Turin in 1927, entered the Society of Jesus in 1944 and was ordained to the priesthood in 1952. His appointment as Archbishop of Milan, Italy's most important diocese, in 1980 was considered highly unusual; Jesuits are not traditionally given bishop posts. He retired from the post in 2002, the year he was diagnosed with a rare form of Parkinson's disease. He then moved to the Pontifical Biblical Institute in Jerusalem. He passed away at the Jesuit-run Aloisianum College in Gallarate near Milan.

fonte:http://www.independent.co.uk/news/world/europe/cardinal-carlo-maria-martini-his-final-interview-and-a-damning-critique-that-has-rocked-the--catholic-church-8101498.html

CARLOS LATUFF DETONA A INTERVENÇÃO NA SÍRIA COM MAIS UM DE SUAS CHARGES CERTEIRAS





Que futuro, com este passado? 


ESCRITO POR ADRIANO BENAYON 


1. No clássico samba Chão de Estrelas, de Orestes Barbosa, o verso fala em “palhaço de perdidas ilusões”. No tango Mano a Mano, de Carlos Gardel, este diz à que o deixa por um ricaço: “tenés el mate lleno (a cabeça cheia) de infelices ilusiones”.

2. Mais infelizes são as ilusões em que o sistema de poder concentrador enreda o nosso povo, depois de montar bombas-relógio que têm causado enormes estragos antes mesmo de detonarem.

3. Entre outras, a dívida interna federal, que atingiu, no final de 2011, R$ 2.536.065.586.017,68 (mais de dois trilhões e meio de reais), e a dívida externa, US$ 402.385.102.828,23 (mais de quatrocentos bilhões de dólares). Esta, em parte privada, acaba virando toda pública em situações como a de 1982.

4. A soma passa de três trilhões e seiscentos bilhões de reais e corresponde a 83% do PIB: o valor da produção interna de bens e serviços nos doze meses do ano.

5. Cerca de 30% dos títulos da dívida interna figuram como “em poder do Banco Central”, mas este os repassa aos bancos nas "Operações de Mercado Aberto". Aplicadores do exterior vendem dólares para comprar desses títulos.

6. O Banco Central fica com parte dos títulos para cobrir, com o rendimento, o prejuízo de R$ 100 bilhões anuais (2011), diferença entre os juros pagos pelos títulos do Tesouro e os juros auferidos com as reservas brasileiras no exterior.

7. E a tragédia da dívida pública não está só no tamanho dela e no gasto que causa: R$ 708 bilhões de juros e amortizações em 2011.

8. O pior é que mais de 90% provêm de juros, taxas e comissões incorporados ao principal (capitalizados), ao longo do tempo, desde antes de grande parte da dívida externa se ter convertido em interna, nos anos 80, mesmo após o Brasil ter feito enormes desembolsos em dólar.

9. Há mais. Conforme dados da Auditoria Cidadã da Dívida, as despesas de juros e amortizações (serviço da dívida) totalizaram R$ 2 trilhões durante os mandatos de FHC (1995-2002) e R$ 4,7 trilhões, durante os de Lula (2003-2010).

10. Com as taxas de juros mais altas do mundo e a dinâmica dos juros compostos, a dívida cresce através da emissão de novos títulos em valor maior que os liquidados, porquanto os juros e encargos estipulados ultrapassam o que a União consegue saldar.

11. Nos últimos 17 anos, o serviço da dívida custou R$ 7,4 trilhões. Nos 7 anos anteriores, de 1988 a 1994, ele somou R$ 2,84 trilhões, já aproveitando o dispositivo inserido na Constituição, através de fraude, o qual privilegia o serviço da dívida no Orçamento.

12. O montante da dívida não equivalia então nem a 10% do presente, mas o “governo brasileiro”, aceitando o vergonhoso Plano Baker, emitiu títulos e fez pagamentos em volume espantoso, para cobrir dívidas atrasadas e abusivamente infladas.

13. De fato, em 1989 e 1990 o serviço da dívida custou R$ 1,57 trilhão. Essa média anual, R$ 785 bilhões, em cifras atualizadas a preços de 2011, supera o custo atual, embora o principal fosse naquela época dez vezes menor que hoje.

14. O serviço da dívida, correspondendo atualmente a 45% do total das despesas federais, equivale a 17% do PIB. Nem tudo isso é desembolsado, mas o que não o é, vai elevando o montante da dívida.

15. Seria bem melhor criar moeda e crédito em bancos próprios, para investir produtivamente, que endividar-se para rolar dívidas financeiras e, de resto, nunca auditadas. Portanto, o Brasil poderia quase dobrar os investimentos (19% do PIB), chegando ao patamar dos países de maior poupança, como China, Taiwan e Coreia.

16. Imagine-se o progresso, se não se despendessem – há mais de 35 anos – verbas absurdas com a dívida. Mormente, se se investisse certo, em vez de subsidiar as transnacionais, como o Brasil faz há 58 anos, desde 24 de agosto de 1954.

17. Os países citados, com potencial menor que o do Brasil, tiveram resultados incomparavelmente melhores, porque fizeram investimentos estatais, com crescente autonomia tecnológica, e ajudaram as empresas nacionais, não as transnacionais. Essa política econômica levou-os a tornarem-se credores, enquanto o Brasil ficou refém da dívida.

18. Chegamos aqui à verdadeira origem da dívida. Esta resulta da acumulação dos déficits nas transações correntes com o exterior, os quais, por sua vez, decorrem das remessas oficiais e disfarçadas dos lucros que as empresas transnacionais auferem no mercado brasileiro, que lhes foi entregue a partir de 1954.


19. Além da ocupação do mercado por carteis transnacionais, contribuíram para a explosão da dívida:


a) o financiamento externo dos investimentos na infra-estrutura e nas indústrias de base, realizados em apoio à indústria “nacional”, cada vez menos nacional;


b) os choques dos preços de petróleo (1973 e 1979), quando o Brasil era importador;

c) a elevação dos juros em dólar pelo FED (Banco Central estadunidense), em agosto de 1979, de menos de 10% para mais de 20% ao ano.

20. A desnacionalização da economia – causa primordial da dívida e da desestruturação do país – ganhou corpo a partir de 1954, quando agentes da oligarquia, Eugênio Gudin e Otávio Gouvêa de Bulhões, assumiram o comando da política econômica.

21. Baixaram a Instrução nº 113 da SUMOC, que permitiu às transnacionais (ETNs) importar máquinas e equipamentos usados, registrando-os como se fosse investimento em moeda.Assim, as ETNs puderam produzir a custo zero de capital e tecnologia, pois tais bens de capital estavam mais que amortizados com as vendas no exterior.

22. Evidentemente, as transnacionais não declaravam valor zero. De 1957 a 1960, sob JK – que manteve os subsídios e ainda lhes deu maiores facilidades – as montadoras e outras transnacionais registraram quase US$ 400 milhões (US$ 3,3 bilhões, atualizando, conforme a variação, brutalmente subestimada, do IPC dos EUA).

23. Não bastasse, as transnacionais favorecidas por aquela Instrução contabilizavam à taxa de câmbio livre o equivalente, em moeda nacional, ao investimento registrado e convertiam lucros e repatriações de capital à taxa preferencial, quando das remessas ao exterior. Isso significavamais que dobrar o valor transferido.

24. Florescentes indústrias de capital nacional surgiram em grande número, na primeira metade do século XX, principalmente na Era Vargas. Depois de 1954, em vez de serem protegidas, foram prejudicadas pela política econômica.

25. Em 1964, Roberto Campos tornou-se czar da economia. Bulhões, ministro da Fazenda. Que fizeram? Pretextando combater a inflação, em alta com a desestabilização anterior ao golpe patrocinado pelos serviços secretos estrangeiros, reduziram os investimentos, elevaram os juros e restringiram o crédito: o suficiente para eliminar do mercado grande número de empresas nacionais.

26. Costa e Silva e Médici reeditaram o falso milagre de JK, e Geisel tentou o mesmo. A ressaca foi ainda mais dolorida. Em 1960, o endividamento externo quase levou à inadimplência. No final dos anos 70, ela já era inevitável e aconteceu em 1982, juntamente com a moratória do México e a da Argentina.

27. Delfim Neto, em 1969-1970, instituíra vultosos subsídios às exportações industriais, mais um maná para as transnacionais. Em 1982, de volta ao governo, sob Figueiredo, mostrou-se arredio a qualquer atitude que lembrasse soberania, e desprezou a tentativa argentina de formar o cartel dos devedores.

28. Daí por diante, não cessaram as capitulações, em notável continuidade entre o governo militar e os governos instalados após a Constituição de 1988.

29. Advêm nesse ponto os colossais dispêndios com o serviço da dívida de 1989/1990, ditados pela mágica dos banqueiros mundiais: não deixar acabar a dívida externa – apesar dos vultosos pagamentos – e ainda extrair dela a dívida interna, que cresceu exponencialmente a partir dos anos 80.

30. Entretanto, a coisa não parou aí. Num processo de retro-alimentação perene: a estrutura de mercado, em poder de empresas estrangeiras, causando déficits externos e endividamento, e este gerando ocupação ainda maior do mercado por essas empresas.

31. Isso culminou, a partir de 1990, em:

a) as “privatizações”: entrega de estatais, de valor incalculável, em troca de títulos sem valor (moedas podres), com desnacionalização imediata ou a médio prazo, em razão da dinâmica do modelo concentrador;

b) a desestruturação do próprio Estado, tornando-o desprovido de instituições capazes de guiar o desenvolvimento econômico e social, e fazendo-o substituir servidores comprometidos com o país por agentes externos.

32. Com a estagnação, acentuada após a crise de 1982, a taxa de investimento ficou baixa, e os investimentos continuaram mal direcionados.

33. Mesmo sem crescimento econômico, os fatores do endividamento continuaram operando, até, em 1999, final do primeiro mandato de FHC, eclodir outra crise externa, ocultada até o desenlace, após a reeleição viabilizada pela corrupção para a emenda à Constituição.

34. Nos mandatos de Lula e no de Dilma, elevaram-se as taxas de crescimento do PIB, com a expansão do crédito, especialmente público, e navegando sobre preços mais altos nas exportações primárias.

35. Então se formaram bolhas e, a cada sinal de exaustão, o governo reage com pacotes que intensificam a deterioração estrutural da economia, em curso desde 1954 e agravada desde 1990. De fato, em 1970 oligopólios de transnacionais já controlavam o grosso da indústria, e depois foi quase todo o restante.

36. Os expedientes para o “crescimento” subordinam-se aos dogmas do Consenso de Washington, tais como parcerias público-privadas, nas quais o dinheiro público financia os empreendimentos e assume o risco, cabendo a gestão e lucro garantido a concentradores privados. Na mesma linha, os créditos subsidiados do BNDES às transnacionais – e novas isenções fiscais e doações em favor destas – refletem o estado patológico das relações de poder.

37. FHC fez desnacionalizar como ninguém, mas, segundo a Consultoria KPMG, de 2004 a junho de 2012, mais 1.167 empresas brasileiras passaram para controle estrangeiro.

38. Mais do que as fusões e aquisições, os investimentos estrangeiros diretos (IEDs) – onde se computa também o reinvestimento de lucros – são o principal mecanismo da desnacionalização.

39. O estoque de IEDs acumulado de 1947 a 2005 montou a US$ 180 bilhões, e só os de 2006 a 2011 superam esse montante, com US$ 192,7 bilhões.

40. No mesmo período, os déficits de “serviços” e “rendas” aumentaram 114%. Somaram US$ 345,4 bilhões nesses seis anos, quantia equivalente a 93% do estoque de IEDs até 2011.

41. Os IEDs e outras modalidades de capital estrangeiro têm equilibrado o Balanço de Pagamentos, como o uso acrescido de drogas alivia o toxicômano, i.e., agravando a doença estrutural da economia.

42. Assim, se não forem revertidas as regras que o Brasil vem obedecendo cegamente, as transferências das transnacionais levarão a uma crise externa incontornável, a qual, se tratada como as anteriores, fará elevar os juros e tornará a dívida pública ainda menos suportável.

43. Está presente também, em função da provável desvalorização do real, a perspectiva de avultar ainda mais a já desbragada venda – por nada – de empresas, títulos públicos e terras brasileiras.

44. De fato, por imposição imperial, acatada por países submissos, o dólar continua valendo como moeda internacional, não obstante ser moeda falsa, aviltada por emissões às dezenas de trilhões, passados aos bancos da oligarquia. O Brasil entrega tudo para ficar com depósitos em dólares, fadados não só a perder valor, mas também a sumir de repente quando se desencadear a fuga de capitais.

Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, editora Escrituras.

A COMPANHIA SIDERÚRGICA DO ATLÂNTICO: MAIS UM ELEFANTE BRANCO GERADO PELO LICENCIAMENTO AMBIENTAL "FAST FOOD" DE CARLOS MINC E SÉRGIO CABRAL


A matéria abaixo, publicada pelo Jornal O GLOBO não poderia ser mais emblemática da crise do modelo de licenciamento "Fast Food" idealizado e concretizado pelo ex-ambientalista Carlos Minc, atual (des) secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro. Depois de custar pelos menos R$ 695 milhões de reais aos cofres públicos e gerar nuvens gigantescas de poluição, a Companhia Siderúrgica do Atlântico está em condição comatosa, e o sede alemã do Grupo Thyssen-Krupp está pronta para desligar os aparelhos que mantém esse monstrengo ambiental em condição de doente terminal.

Esse modelo de licenciamento ambiental "Fast Food" é isso ai mesmo. Muito dinheiro jogado fora, a população do entorno ficando com o prejuízo ou sendo expulsa, e as corporações poluidoras se mandando ao menor sinal de problema.

Vamos ver agora o que o serelepe (des)secretário Minc vai dizer. Só não vale culpar os pescadores da Baía de Sepetiba. Afinal, esses são os únicos verdadeiros perdedores de todo esse desastre sócio-ambiental.


CSA vira elefante branco, está à venda e pode fechar alto-forno

Empresa já recebeu R$ 695 milhões em alívio fiscal

POR DANIELLE NOGUEIRA, BRUNO ROSA e GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER



RIO E BERLIM - Dois anos após sua inauguração, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), situada em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, se tornou um elefante branco para a cidade. Idealizada pela Vale dentro de sua política de atrair sócios para siderúrgicas no país e, assim, fomentar o mercado local de minério de ferro, a usina já recebeu um alívio fiscal do governo estadual de R$ 695 milhões. Com esse valor, seria possível construir 154 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou 69 escolas públicas. O dinheiro, no entanto, ajudou a erguer um empreendimento envolvido em polêmicas ambientais e trabalhistas e que foi colocado à vendas pelos alemães da ThyssenKrupp desde maio. A Thyssen chegou a estudar a possibilidade de fechar um dos seus dois altos-fornos, o que reduziria à metade sua capacidade de produção.

Conforme informou a coluna de Ancelmo Gois no GLOBO no último dia 28, o governador Sérgio Cabral avisou que cortaria todos os incentivos fiscais da usina caso a ThyssenKrupp desligasse um dos dois altos-fornos. A possibilidade foi aventada em encontro recente entre representantes da siderúrgica e o secretário da Casa Civil do governo do Estado do Rio, Regis Fichtner. Segundo uma fonte ligada à empresa, a diretoria na Alemanha quer fechar um alto-forno, mas a ideia encontra resistência entre os executivos no Brasil, já que a unidade está à venda.

— Muitas empresas do exterior (possíveis interessadas em comprar a usina) estão visitando a CSA. Por isso, é importante ela estar funcionando a todo vapor neste momento — disse a fonte.

A CSA é uma sociedade entre a brasileira Vale (26,87%) e Thyssen (73,13%). A Thyssen já ofereceu sua participação à sócia Vale, mas a mineradora rejeitou. A avaliação de especialistas brasileiros é que os alemães terão dificuldades em vender sua parte na CSA, pois hoje há no mundo, segundo dados da World Steel Association (a associação mundial de siderúrgicas), um excesso de capacidade de produção de aço de 526 milhões de toneladas por ano, ou 15 vezes a produção brasileira.

— A CSA se tornou um elefante branco. A crise pegou os alemães desprevenidos. Eles haviam se endividado e viram a demanda por seus produtos cair de uma hora para outra — afirma Pedro Galdi, analista da corretora SLW.

— É difícil encontrar comprador neste momento. O setor está de cabeça para baixo, o que tem levado a práticas predatórias — diz Marco Polo, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil.

Em Santa Cruz, nos arredores da usina, o clima é de apreensão. Funcionários desconversam, mas fornecedores confirmaram que o rumor sobre o fechamento de um dos dois altos-fornos da usina “circula há alguns meses”. A preocupação do diretor de Operações de uma das empresas que integram o complexo siderúrgico em Santa Cruz é que, caso isso aconteça, as demissões sejam inevitáveis e provoquem um efeito em cascata na cadeia produtiva. A CSA tem 5.500 empregados. Oficialmente, a matriz na Alemanha nega o possível fechamento.

— Temos um grande problema com a alta capacidade mundial de produção e a demanda fraca, o que já fez gigantes, como a Arcelor Mittal, desligar dez dos seus 32 alto-fornos, mas os nossos planos para a CSA, no momento, são de deixar os dois fornos ligados — disse ao GLOBO um porta voz da Thyssen.

Segundo ele, o grupo estuda diversas opções, incluindo a venda parcial ou total de sua fatia CSA, e haveria mais de dez empresas interessadas na siderúrgica. Os números do último balanço financeiro do grupo mostram que a situação da siderúrgica é delicada. Nos nove meses encerrados em junho, a CSA produziu apenas 2,5 milhões de toneladas de placas de aço, metade de sua capacidade. A unidade foi concebida em um projeto integrado com uma usina da Thyssen no Alabama, nos Estados Unidos. Pelo projeto, 80% da produção de placas seriam exportadas para a usina americana e os 20% restantes para usinas alemães.

Com a crise econômica mundial de 2008, a demanda por aço caiu drasticamente e ainda não se recuperou. Isso fez com que a divisão do grupo que reúne as unidades no Rio e em Alabama, a chamada Steel Americas, tivesse prejuízo de € 781 milhões entre outubro de 2011 e junho de 2012 — o ano fiscal alemão começa em outubro e termina em setembro. A perda fez o presidente mundial da Thyssen, Heinrich Hiesinger, acelerar as negociações para se desfazer das duas unidades. O executivo quer € 7 bilhões por elas.

Enquanto a Thyssen negocia a CSA, comerciantes nos arredores da fábrica temem pelo futuro da companhia e pelo de seus negócios.

— A receita do bar cresceu 15% com a chegada da CSA. Se a usina fechar, Santa Cruz fecha — diz Antônio da Silva, dono, junto com sua mulher Sebastiana, do Pinheiro’s Bar, que fica ao lado da usina.

Na crise, custo do projeto subiu

Raquel Gomes também está receosa. Ela fez do terreno onde mora um estacionamento e se gaba de já ter ganho R$ 3 mil por mês com o aluguel das vagas. Frisa, porém, que com o aumento da renda veio o aumento da poluição:

— A poeira entra na casa da gente.

Desde o início de sua construção, a CSA acumula uma sucessão de problemas. Foi alvo de ações do Ministério Público do Trabalho, contra a vinda de trabalhadores chineses, e do Ministério Público do Rio, que a acusou de crime ambiental. Em meio à crise internacional, a empresa reviu o valor do projeto, que saltou de € 3 bilhões para € 5,2 bilhões, puxados por variações no câmbio e maior custo de mão de obra.

Os incentivos fiscais obtidos pela CSA pelo governo estadual estão dentro do programa RioInvest. A empresa obteve crédito correspondente ao valor investido no projeto. Na prática, ela só paga 30% do ICMS por mês. O valor restante (70%) será pago no futuro. Os R$ 695 milhões em isenções já concedidos referem-se ao período de 2007 e 2010. A informação foi obtida a partir de requerimento do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) à secretaria estadual da Fazenda. Procurada pelo GLOBO, a secretaria não informou os valores concedidos em 2011 e 2012.



TEM NOTÍCIA EM QUE O TÍTULO ESCONDE O VERDADEIRO CONTEÚDO

A matéria abaixo publicada pela Revista EXAME traz no título a novidade acerca do combalido conglomerado formado pelas empresas da franquia "X", a chegada de um novo grande assessor para Eike Batista. Mas esse título omite dois fatos mais relevantes: 1) o ex-presidente da OG(X), Paulo Mendonça, deixou o Grupo EBX, e 2) Eike Batista está tentando vender mais partes da MPX, sua subsidiária que acaba de ter uma licença ambiental no Chile.

De toda forma, quando se lê o conteúdo da matéria fica claro que as coisas continuam bastante turbulentas lá pelas bandas do Grupo EBX. E a pergunta incomoda fica ainda mais atual: e ai Eike, vai entregar?


Eike tem novo braço direito na EBX, diz colunista de Veja

O seu nome é Aziz Ben Ammar, administrador e cientista da computação tunisiano que foi trazido pelo bilionário para assessorá-lo em novos projetos


Diogo Max, de


Deco Rodrigues/Contigo


São Paulo – O empresário Eike Batista tem um novo braço direito na EBX. O seu nome é Aziz Ben Ammar, administrador e cientista da computação tunisiano que foi trazido pelo bilionário para assessorá-lo em novos projetos. A informação foi publicada pelo jornalista Lauro Jardim, na revista Veja desta semana. De acordo com o texto, Anmmar tenta captar dinheiro no Oriente Médio e no Leste Europeu para formar um fundo com objetivo de comprar fatias em empresas e até fazer uma oferta pelo SBT. Ainda segundo o jornalista, ele é um dos principais homens de Eike na tentativa de vender mais uma partipação da MPX para a E.ON.

Na semana passada, Eike viu seu antigo parceiro deixar seu conglomerado. Paulo Mendonça, que esteve à frente da petroleira OGX até o início de produção, saiu do grupo EBX. Antes ele havia sido retirado da presidência da OGX em junho, depois que a empresa reduziu sua meta de produção em até 75%.


As empresas de Eike já chegaram a perder 32 bilhões de reais em valor de mercado na bolsa brasileira. Segundo os cálculos da Economática, as companhias terminaram o ano passado com um valor total de 63,077 bilhões de reais. O número caiu para 31,8 bilhões de reais, de acordo com dados atualizados da Reuters.

Eike, o homem mais rico do Brasil, estagnou abaixo da vigésima posição no ranking global da Forbes, que mede a fortuna dos bilionários pelo mundo. No início do ano, Eike era o sétimo na lista – e chegou a causar polêmica ao afirmar que, em alguns anos, seria o maior bilionário do planeta, batendo o atual líder Carlos Slim.


FONTE:http://exame.abril.com.br/negocios/empresas/noticias/eike-tem-novo-braco-direito-na-ebx-diz-colunista-de-veja

domingo, 2 de setembro de 2012

NOVA PLACA DA CODIN DIZ TUDO SEM PRECISAR EXPLICAR A RELAÇÃO COM A PLACA ANTIGA DA LLX. ESTÁ TUDO NA CARA DE QUEM QUISER VER!

A placa acima da CODIN é mais reveladora do que parece. Afinal como pode: a CODIN é pública mas a propriedade dela é privada? Deve ser porque essa terra que está sendo tomada a preço de banana vai ser dada de presente para o Eike Batista em nome do "interesse público".


E o interessante é que a placa acima para se diferenciar da placa abaixo que está numa área imediatamente ao lado, agora tem uma tarja amarela para diferenciar a CODIN da LLX. Imaginativo, não?


E a pergunta que não quer calar: siderúrgica, que siderúrgica cara-pálida?
O SÍTIO DE BIRICA RESISTE, PRODUZ ALIMENTOS E ABRIGA A FAUNA SELVAGEM QUE FOGE DO COMPLEXO DO AÇU

Resistindo a todo tipo de pressão e ameaças, Valmir Batista e sua esposa Noêmia, continuam resolutos em não abandonar uma terra em que investiram suor e amor, apenas para saciar a gula de terras do Grupo EBX. Esta tarde passei algumas horas com os dois e pude ver como realizam uma paciente e generosa com a sua propriedade.  Quem chega ali não fica a pé ou com fome e, de quebra, ainda pode pescar num dos tanques existentes na propriedade em que peixes graúdos podem ser pescados enquanto se conversa de forma calma e paciente.



Quem olha em volta do Sítio do Birica só vê agora placas da LLX e da CODIN que têm em comum a presença de ruínas das moradias dos moradores que se cansaram de lutar e entregaram suas terras a preço de banana.



Se isto que está ocorrendo no V Distrito de São João da Barra não é ilegal, certamente é imoral e atenta contra o nosso futuro comum. Já que os que partem produziam alimentos e os que estão se apossando das terras quando muito querem usá-las para movimentar "commodities", não fica difícil perceber que cedo ou tarde teremos uma grande crise de alimentos. Dai quero ver se o (des) secretário Júlio Bueno ou o (des) governador Sérgio Cabral vão querer comer minério de ferro. Qual nada, vão importar comida da França, país que o segundo adora. Já nós, pobres mortais, vamos ficar a ver navios.

Ainda bem que ainda tem gente que não se intimida e nem entrega suas terras a um preço mais barato do que aquilo que valem hoje as ações das muitas empresas da franquia "X". Longa vida ao Sítio do Birica e os sonhos que Valmir e Noêmia transformam todos os dias em realidade.



A Guerra da Síria: petróleo e não democracia, eis a questão 

Marcos A. Pedlowski, artigo publicado no número 260 da Revista Somos Assim



Apesar de parecer distante e insignificante para o nosso cotidiano, a guerra civil que ocorre na Síria mereceria um tratamento menos linear da imprensa corporativa brasileira. Afinal, até aqui o que temos tido é uma ação que se resigna a ecoar notícias produzidas pela mídia dos países que estão mais uma vez alimentando um conflito interno num país árabe. E não faz muito tempo, a bola da vez era a Líbia, cujo presidente/ditador foi assassinado a sangue frio por milícias que receberam sua localização diretamente das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Aliás, o que poucos estão falando é que após a vitória da “revolução”, a Líbia está passando por um processo agudo de perseguição às minorias étnicas e religiosas. O caso mais recente foi o da destruição de um dos principais templos da seita “Sufi” que é considerada como herege pelos radicais islâmicos que controlam partes de cidades líbias. Neste caso, fica claro que o “ditador” Muammar Kadhafi era mais tolerante com minorias religiosas do que os “revolucionários” colocados no poder com o apoio das grandes potências. 

Mas, em vez de apresentar a situação catastrófica que foi gerada na Líbia pelo apoio da OTAN, com autorização da ONU, diga-se de passagem, a imprensa corporativa prefere nos manter com uma visão unilateral do processo sírio. Que Bashar Al-Assad não é um democrata, todos concordam. Agora, tampouco os reis e emires da Arábia Saudita e do Qatar que estão financiando os rebeldes sírios o são. Além disso, o que dizer dos países da OTAN que também estão financiando e despejando armas e apoio logístico para as forças que lutam contra o regime sírio? Eles também não têm uma folha corrida das melhores quando se trata de respeitar o direito de povos de países sob sua influência de decidirem seus próprios destinos. O exemplo mais recente disto foi o golpe de estado ocorrido no Paraguai, quando o Departamento de Estado dos EUA foi o primeiro a apoiar a remoção de um presidente democraticamente eleito pelo povo paraguaio. 

Em termos desta contradição entre discurso e prática, basta apenas pensar na escandalosa situação do australiano Julian Assange, fundador e líder do site Wikileaks, que está abrigado no interior da embaixada do Equador em Londres para escapar de uma extradição para a Suécia, país que seria apenas um intermediário de uma extradição para os EUA, que querem sua cabeça por causa da divulgação de documentos secretos norte-americanos. A verdade é que a imensa maioria da mídia sequer toca nas evidências de que os suecos estão apenas atuando como atravessadores dos interesses norte-americanos. 

Mas mais do que contradição entre discurso pró-democracia e ações autoritárias, o que realmente remove qualquer autoridade moral da OTAN e de seus satélites no Oriente Médio no que está acontecendo na Síria é que esta é apenas um peão num jogo de xadrez bem mais complexo. O verdadeiro alvo não é o regime de Bashar Al-Assad, mas o dos aiatolás que governam o Irã. E mais uma vez não há nada de democrático nas aspirações evidentes por uma troca de regime em Teerã. A coisa, mais uma vez, é muito menos idealista. A verdade nua e crua é que o objetivo final deste intrincado processo é o controle das gigantescas jazidas de petróleo que existem no Irã. Assim, o problema não é democracia, o problema é petróleo, e qualquer outro discurso é mero diversionismo em relação a este pequeno segredo da geopolítica mundial. O mais trágico disto tudo é que enquanto o tabuleiro da geopolítica do petróleo é reorganizado à bala, centenas de milhares de pessoas são expulsas de suas casas, e outras tantas são assassinadas a sangue frio, seja pelas forças governamentais ou por aquelas lideradas pelos “revolucionários” financiados pelos interessados em aumentar seu acesso às riquezas geradas pela indústria petrolífera. 

Mas o que temos a ver com isto? Afinal de contas, não estamos no Oriente Médio e nem vivemos sob o mesmo tipo de tensão que os países árabes vivem há muitos séculos. O que ninguém pode esquecer é que a próxima fronteira do petróleo está dentro das águas territoriais brasileiras, mais precisamente na camada Pré-Sal. Assim, é melhor que ninguém fique se iludindo acerca da suposta inviolabilidade do Brasil num contexto de disputa geopolítica que continua sendo decidida por quem tem os maiores canhões. Se ao final e ao cabo de todas as tentativas em controlar o petróleo árabe falharem, ninguém deverá ficar surpreso se nos tornássemos a bola da vez. Aliás, é só olhar as contínuas pressões que são feitas contra o governo de Hugo Chávez para se saber que democracia é uma bela desculpa sempre que se tenta remover um governante minimamente autônomo, seja por eleições ou por golpes de estado. A fórmula usada é a que menos interessa neste tipo de situação. 

E novamente é preciso lembrar que nesta guerra de fatos e versões sobre o que acontece na Síria, a primeira vítima sempre será a verdade. Afinal, o que importa mesmo é o petróleo, nem que esteja encharcado de sangue.

sábado, 1 de setembro de 2012

Atualização sobre a Operação Kimberley Miinimbi: Chevron pula do barco com a pressão para salvar o essencial berçário Jubarte das fábricas de gás


Por Capitão Mal Holland

Steve Irwin

Poucos dias depois de o Steve Irwin deixar a costa de Kimberley e retomar o trajeto para Sydney, o principal parceiro da Woodside na proposta da fábrica de gás James Price Point, a Chevron Corporation, pulou do barco sobre o empreendimento.

O carro-chefe da Sea Shepherd suspendeu temporariamente os preparativos para a próxima campanha de defesa das baleias da Antártida, a Operação Tolerância Zero, e fez um trajeto para as águas do norte da Austrália. Esta viagem foi feita em um esforço para destacar a situação crítica enfrentada agora pelas baleias jubartes da Antártida, na extremidade oposta da sua migração anual.

A desistência da Chevron coincide com uma corrida de uma semana de ações em terra, tomadas por cidadãos comprometidos, para impedir os equipamentos de perfuração de alcançar o complexo de Woodside, em outras palavras, as idílicas terras costeiras atrás de James Price Point.

O equipamento se destina a ser usado para tocar as águas subterrâneas de Broome. O prelúdio de oito bilhões de litros de água para o eventual empreendimento ameaça ser utilizado todos os anos na contrução da fábrica de gás. Uma vez utilizado, grande parte dessa água vai se tornar parte de 30 bilhões de litros de “descarga marinha de rotina” despejada no oceano adjacente onde 52 quilômetro quadrado da “zona morta marinha” vai destruir um dos últimos ambientes marinhos intactos remanescentes no planeta.

O estado não-contaminado do oceano aqui até agora tem permitido uma abundância rara de verde, tartarugas marítimas, e as tartarugas-de-pente, numerosas espécies de baleias e golfinhos, pássaros migratórios, peixes, incluindo arraias-manta e tubarões, dugongos, plâncton, alga marinha e corais .

Quinze ativistas foram presos nas ações para segurar o comboio de perfuração e parar a destruição do habitat selvagem. Neste momento, as pessoas de todos os lugares estão bloqueando as máquinas com seus corpos, enfrentando a polícia armada e os tribunais, para diminuir esta maré irracional pelo tempo necessário para o resto de nós possamos ver as coisas como elas realmente são na Península de Dampier. Desobediência civil não-violenta nesta crise é um show de contenção disciplinada – mais graxa para seus cotovelos. Nós confiamos que mais pessoas irão se juntar a eles.

Mar intocado das idílicas terras costeiras. Foto: Ingetje Tadros
Polícia bloqueando as estradas. Foto: Ingetje Tadros

Traduzido por Dani Vasques, voluntária do Instituto Sea Shepherd Brasil

Trabalhador pega comida do lixo e vai parar na cadeia

Por Redação, com Agência Petroleira/BdF - do Rio de Janeiro



A realidade pode ser mais dura do que a ficção. No Centro de Pesquisa da Petrobrás (Cenpes), três trabalhadores de uma empresa que presta serviços à estatal foram retirados em camburão do trabalho e processados criminalmente. Um deles, Cláudio Charles Gonçalves, de 33 anos, está desde terça-feira preso na 54º DP, em Belford Roxo. No dia seguinte seria transferido para o presídio de Bangu. O crime cometido? Tentou levar para casa um frango jogado no lixo. Eles trabalham para a firma Ultraserve, contratada pela Petrobrás e responsável por servir as refeições no restaurante do Cenpes.

A retirada dos três rapazes do seu local de trabalho em camburão, diante de todos os colegas, aconteceu no dia 19 de julho. Diogo Cardoso, 27, também processado, é um jovem magro, de olhar assustado. Ele relatou que uma de suas funções na Ultraserve é recolher os sacos de lixo para descarte. Disse que as normas da Anvisa são muito rigorosas e os frangos, depois de descongelados, quando não aproveitados na refeição, são sempre descartados, “pois não poderiam ser congelados novamente”.

Assim, teria achado um desperdício aquele descarte. Com o produto já no lixo – dois ou três frangos – achou que não haveria problema em dividir aqueles restos de comida com um amigo. Foi o que fez, dividindo o descarte com Cláudio Charles, que no momento está preso. Segundo a sua esposa, ele está muito abalado emocionalmente, “por causa da vergonha a que está sendo submetido”.

O amigo Diogo – ambos são vizinhos na localidade de Nova Aurora, em Belfort Roxo – só não foi para a cadeia esta semana, porque não estava em casa quando a polícia chegou, a mando da Ultraserve, com ordem de prisão preventiva. O que não impediu sua esposa de passar por momentos de tensão, quando a polícia adentrou pela sua casa. Aos 27 anos de idade, Diogo já tem três filhos, um deles com necessidades especiais.

O terceiro trabalhador processado criminalmente pela Ultraserve é Marcos Paulo, de 24 anos, residente numa comunidade em Caxias. Ele trabalhava em outro restaurante do Cenpes, quando foi detido. Seu crime foi tentar levar para casa, achando que dava para aproveitar, “algumas barrinhas de chocolate quebradas e amassadas e um pouco de iogurte fora da validade”.

Se hoje Marcos Paulo não está detido em Bangu, preso preventivamente como se fosse um perigoso fora da lei, é porque não estava em casa, no momento em que a polícia chegou à casa de seus pais com a ordem de prisão.

O Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) denunciou há cerca de um mês, em editorial publicado no jornal Surgente, o absurdo daqueles processos criminais. Na ocasião, o sindicato já exigia providências da Petrobrás contra o que considerou um abuso de autoridade e desrespeito aos trabalhadores.

Mas, na terça (28), recebe uma notícia ainda mais inusitada: é decretada a “prisão preventiva” dos trabalhadores, a pedido da Ultraserve. Em apoio às vítimas dessa arbitrariedade, o sindicato indicou um advogado para acompanhar o caso. O mais ilógico é que as leis em vigor jamais condenariam à prisão três trabalhadores de ficha limpa, por tentar levar para casa ninharias destinadas ao lixo. A prisão preventiva deveria estar reservada a bandidos perigosos que ameaçam a sociedade.

Na manhã desta quarta-feira, os trabalhadores da Ultraserve fizeram uma paralisação no Cenpes, em solidariedade aos colegas injustados. Representantes do Sindipetro-RJ se reuniram com a gerência de Recursos Humanos (RH) do Cenpes e aguardam providências. O advogado que vai defender os trabalhadores dará entrevista à TV Petroleira, ao vivo, na próxima segunda-feira, 3 de setembro, às 19 horas) – o endereço eletrônico é tvpetroleira.tv